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27.3.13

"Bares da Cidade"



Acabei de ouvir na vitrola - sim, vitrola mesmo - a canção "Bares da Cidade" e achei que este blog deveria tê-la registrada: "Do Lamas ao Capela, e da Mem de Sá, passo no Bar Luiz e no Amarelinho é que eu vou terminar"... Está no disco "Vida Boêmia" (1978), de João, que comprei por cinco reais na feira de antiguidades da Praça XV.  A voz de João  e a poesia de Paulo César Pinheiro, juntas, cantando alguns dos bares mais tradicionais do Rio que, para a nossa sorte, ainda estão de pé. 

Bares da Cidade, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro
Anoiteceu
Outra vez vou sair
Andar por andar sem nada a esperar
Sem ter pra onde ir
Vou caminhar por aí a cantar
Tentando acalmar as tristezas por onde eu passar
A minha vida boêmia de bar em bar
É o meu amor sem paz
Por um amor vulgar
Que me abandonou
Chorando os meus ais
Me deixando também por maldade
Saudades demais
E eu vou levando minha alma aflita
À noite a cidade é tão bonita
Do Lamas ao Capela, e da Mem de Sá
Passo no Bar Luiz
E no Amarelinho é que eu vou terminar

28.2.12

Seu Fuad, sua picanha macia e os boêmios de ontem e hoje






Seu Fuad, que um amigo meu, na maior cara de pau e sem qualquer intimidade com o próprio, chama de "Fufu", é o dono de um restaurante (Esquina Grill do Fuad) forecedor de um gênero de comida que, se fosse no Rio, eu batizaria de CCC (Comida Carioca de Combate). Como é em São Paulo, podemos chamá-lo de CPC (o P é de paulista ou paulistana, obviamente). E até fica bonitinho neste caso, posto que CPC também era o combatente Centro Popular de Cultura, da UNE, e Fuad, reza a lenda, já deu de comer a muitos "subversivos" nos tempos da ditadura. José Dirceu, por exemplo, seria um deles. O restaurante do Fuad fica pertinho da Escola de Sociologia e Política - e do Mackenzie -, em Santa Cecília. Hoje, ostenta nas paredes dezenas de reportagens enquadradas sobre sua história, todas elogiando a qualidade dos pratos. É um especialista em carnes grelhadas. E são gostosas, embora as batatas e polentas não me apeteçam muito, têm aquele gosto de tempero pronto, qualquer coisa entre o ajinomoto e o sazón. Mas o lugar é agradável, por isso as batatinhas ficam em segundo plano. Peça uma picanha (deliciosa, macia) que leva o nome de "Ronaldo", em homenagem ao Fenômeno; vem acompanhada de agrião (e o que isso tem a ver com o jogador eu já não sei) e manteiga de alho, além da tal mandioca. Nas mesinhas da calçada - numa esquina arborizada - o clima é de festa, leve, e a cerveja de garrafa vem estupidamente gelada. Domingo tem fila de espera, como não poderia deixar de ser em se tratando de um bom restaurante em São Paulo. Recomendo ir à noite, durante a semana, quando o ambiente está mais próximo do original dos idos de 1968: impera a juventude boêmia, e quase não há famílias com crianças. Se encontrar o Fuad, pergunte sobre os velhos tempos.

6.5.09

Chico & Alaíde




Minha ansiedade para conhecer o boteco Chico e Alaíde, inaugurado em fevereiro, era imensa, e lá estive há alguns dias, finalmente. Mas, siceramente?, sobre as comidinhas não posso fazer mais que só postar estas poucas fotografias tiradas com sacrifício. Explico: a noite por lá foi muito boa, se é que você me entende. O que quer que eu diga serão apenas impressões. Mas, sabendo que Alaíde tem a melhor mão do Rio, é de se imaginar que tudo estava delicioso. E não me peça mais detalhes. Traçamos um "totivendo", o escondidinho ao contrário que só se come lá (na primeira imagem, lá em cima). A foto do sanduíche sugere que se tratava de um suculento pernil com queijo e tomate - eu sempre prefiro os pernis molhadinhos, e me parece ter sido o caso deste aí.
Agora, posso dar com fidelidade minhas opinições sobre o ambiente. O lugar peca pela limpeza em excesso, é tudo clean demais para um botequim, se é que você me entende mais uma vez, e a luz ilumina mais que o necessário. Afinal, boemios não precisam enxergar muita coisa, acha todos os gatos pardos mesmo. Apesar disso, o Chico e Alaíde tem algo que faz dele um Grande Boteco, algo que não se explica: um espírito de boemia no ar, um piso que atrai feito ímã, gruda os pés da gente no chão até às 4 ou 5 da manhã. Sendo assim, acho que podemos elevá-lo à categoria de "ante-sala do Demônio". É da estirpe de Jobi, Filial, São Cristóvão, se é que você me entende mesmo. Seja bem-vindo.

Chico e Alaíde
esquina de Bartolomeu Mitre com Dias Ferreira, Leblon, Rio de Janeiro
Telefone: 21-2512-0028

Mandacaru, na Feira de São Cristóvão





Os cariocas chamam a Feira de São Cristóvão de "Feira dos Paraíbas" (alcunha que paulistas considerariam politicamente incorreta, mas no Rio, pasmem paulistocêntricos, é só um apelido carinhoso). Fato é que a feira - aliás, por feira entenda-se um gigantesco pavilhão cheio de barracas-lojas, "boates" e restaurantes - é uma verdadeira sede de 'Bius', os codinomes de severinos paraiBANOS, baianos, cearenses, pernambucanos na Cidade Maravilhosa. E sem mais sobre a própria feira porque já falei dela aqui mais de uma vez. Vamos às ementas. Como frequentadora assídua do lugar que sou, já estive em vários restaurantes, e agora foi a vez do Mandacaru. Já tracei pratos melhores de comida nordestina, mas ainda assim, recomendo - vale pelo ambiente colorido, alegre e divertido (e é preciso gostar de forró, o restaurante fica perto de um dos dois palcos do Pavilhão, onde a música não para). A carne de sol com aipim, baião-de-dois, molho à camapanha e tudo mais (R$ 45,00 para três muito bem servidos) vale o custo-benefício, mas não se lambe os beiços, longe disso, embora os acompanhamentos não deixem a desejar. Fiquei deveras irritada com o aipim cozido um pouco duro, mas pode ser perfeccionismo meu mesmo. Se não gostar de nada, beba muita cachaça para esquecer, por R$ 4,00 a dose (Salinas gelada). Antes de sair, peça o chapéu de boiadeiro do dono emprestado e pose de corno para a posteridade.

Sobre a feira, leia a descrição da Riotur:
"Um pedaço do Nordeste no Rio de Janeiro. Assim pode ser definido o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, onde funciona a tradicional Feira de São Cristóvão. São cerca de 700 barracas fixas que oferecem as várias modalidades da cultura nordestina: culinária típica, artesanato, trios e bandas de forró, dança, cantores e poetas populares, repente e literatura de cordel. Visitar a Feira de São Cristóvão é um programa que atrai cerca de 450 mil visitantes por mês, entre turistas e cariocas. O preço da entrada é mínimo e o local oferece boa infra-estrutura, com pistas de dança, palcos para shows, 35 restaurantes de culinária nordestina, lojas de venda de artesanato, banheiros públicos e estacionamento."

Campo de São Cristovão
Tel: (21) 2580-0501
De terça a quinta, 10-16h / de 10h de sexta às 22h de domingo

20.4.09

De "bidon" pelo Sul da França*





Demorei, mas volto em grande estilo! Este blog não tem mesmo do que reclamar! Acaba de receber uma de suas mais belas contribuições, um texto delicioso do amigo Alexandre, que sabe-se lá o que anda aprontando no Sul da França a uma hora destas, mas seja lá o que for, certamente o está fazendo com uma taça de vinho na mão e um pedaço de queijo na outra. Companheiro, quero encher minha Perrier de "vin du pays" (que o meu charme "é tudo pose", você sabe), comprar embutidos e me acabar nas ostras!

De "bidon" pelo Sul da França*

Normalmente, quando viajantes brasileiros voltam de uma viagem ao sul da França, chegam cheios de histórias de mansões fantásticas à beira-mar, iates luxuosos e restaurantes estrelados. Com um misto de deslumbre, devaneio e uma pontinha de inveja, falam dos carrões importados, das lojas da moda e das jóias no pescoço das “cocottes”. Mas existe um outro “sul”, que não é o da chique Côte D’Azur, com suas “villas” e seus o milionários russos. Nem o da badaladíssima Cannes ou do exclusivo Cap Nègre, onde o presidente Sarkozy passa os fins de semana na mansão da sogra. Não, Anastácia. Há o sul dos vinhedos, das feiras coloridas e agitadas, das oliveiras e do francês simples e carregado de sotaque, que compra (muito) vinho no atacado e azeite com o vizinho produtor.

Saindo da Espanha e atravessando os Pirineus, chega-se a essa França pela Côte Vermeille. De repente, você se pega circulando, na estrada, entre os “terraços” de vinhedos plantados nos morros e o Mediterrâneo. A partir daí, pode tirar o “bidon” – como eles chamam o nosso galão – da mala para “abastecer” em qualquer “cave” de beira de estrada, normalmente de venda direta do produtor. É só chegar e encher o galão direto dos barris. Vinho bom e barato, como só o interior sabe proporcionar. É a versão francesa do alambique mineiro. Aqui, o orgulho do povo são a uva muscat, chamada de “Pérola do Roussillon”, e o “vin doux naturel”. São vinhos mais doces, bem mais fortes (16º de teor alcoólico, em média) e bebidos como aperitivos. Mas não falta a clássica merlot e o mais barateba, o “vin du pays”, eufemismo local para o clássico vinho de mesa. Na falta do galão, qualquer garrafa pet serve. Para não perder o charme, use uma de Perrier.

Você adoraria as feiras, Anastácia, onde compraria não só suas batatas, mas também os queijos, os embutidos e as azeitonas de todos os tipos: verde, preta, temperada, simples ou sob a forma de “olivadas”, que são pastinhas feitas com diversos tipos de temperos ou apenas misturando a azeitona triturada com um bom azeite extra virgem. As barracas dos “oliviers” são um festival de aromas. Nelas encontra-se também azeite no atacado, além dos temperados e perfumados. E, como estamos à beira-mar, não faltam as ostras frescas e mariscos da estação. E ali mesmo, na barraca ao lado, o viajante mais empolgado que decidir se aventurar no mundo dos vinhedos vai poder levar para casa uma muda de “merlot” ou de “muscat” e se tornar um verdadeiro “vigneron”.

A “siesta” é um direito quase sagrado e nada funciona à tarde. Então, bom mesmo, depois do almoço, é aproveitar a praia para um passeio ou, depois da primavera, quando a temperatura fica mais amiga, se esticar na areia com uma garrafa de rosé, ideal para dias ensolarados e festivos. Do bidon, é claro.

* Por Alexandre Arruda, jornalista e 'bon vivant' nas horas vagas - e nas ocupadas também.

20.4.07

Hora da ressaca



Cerveja tcheca, "Pilsnerqualquercoisa". Ainda bem que não tinha esta coisa no pé-sujo que fui ontem. Talvez fosse o fim da minha carreira etílica. Socorro.

2.4.07

Caipirinha de abacaxi com pimenta


Provei na Academia da Cachaça. Aliás, o cardápio deles é dos mais criativos que já vi. Comidinhas brasileiríssimas em combinações super diferentes. Já disse que vale a pena a visita. Só não peça, jamais, em tempo algum, a carne-de-sol com nhoque e arroz de queijo. O prato não é bom, na minha modesta opinião. Mas vá de caipirinha de abacaxi com pimenta dedo-de-moça. Muito louco, não? E ficou bem gostosa, sem falar na diversão que é mastigar as pimentinhas. Taí a foto. Custa R$ 7,00. Já dei o endereço da Academia aqui, mas vai aí de novo:


Academia da Cachaça
Rua Conde Bernadotte, 26 Tel. (21) 2529-2680 (21) 2239-1542 .

28.3.07

Pausa para o café II, agora em Lisboa

Ccom uma taça de Amarguinha, licor de amêndoas português muito comum por lá (e por aqui, no Rio, também). Hummm, delícia...

1.2.07

O(s) Sandema(e)n



Flagrante: lá atrás da cave do vinho do Porto Sandeman, em Vila Nova de Gaia (é a cidade que fica do outro lado do Rio Douro, uma espécie de Niterói da cidade do Porto), vi um caminhão sendo abastecido - ou abastecendo, whatever. Amanhã pretendo visitar a cave, é de graça. Beleza... Já descobri que o Sandeman está entre os tops do Porto. São alguns dos mais caros. Se for Vintage então (top do top), caríssimo. Amanhã vou visitar as caves e conto os detalhes. Ah, pois não foi que topei com o próprio Sandeman na rua? Esta moça estava panfletando, oferecendo as visitações às caves. Neguinho tem cada idéia...