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5.4.10

Saudades de Amália, na revista Gosto


Finalmente "publico" aqui a matéria que escrevi para a belíssima revista Gosto, em dezembro, sobre Amália Rodrigues: um passeio pela personalidade da maior estrela da cultura portuguesa através das suas preferências gastronômicas. É só clicar nas fotos para ler. Espero que gostem.





27.3.10

A carne não é fraca


Iris Palhas traçou com prazer um sanduíche recheado de patê de cogumelos, alface e semente de linhaça enquanto dava esta entrevista. Soa 'natureba'? Pois então saiba logo o que interessa: Iris nunca comeu um pedaço de carne em todos os seus 27 anos de vida. Um mísero bife, uma fatia, um naco sequer. Nada. É um caso raro, por isso, musa absoluta dos seus colegas de 'ovolactovegetarianismo', e filha e neta de vegetarianas (o que explica uma boa parte do fenômeno).

Iris é lisboeta, formada em Eco-Agroturismo e não conhece ninguém com um histórico de renúncia à carne como o seu (tampouco eu e, muito provavelmente, você), mas sabe que "existem alguns muito poucos em Portugal". É uma jovem alegre, sorridente, agitada, faladeira, engajada, militante - prega aquilo que pratica, mas não se engane, Iris não é inconveniente. Pelo contrário. Sobre as razões que a levaram a manter seu vegetarianismo mesmo quando já podia escolher o que comer, foi tão poética quanto evasiva: "Apenas fico contente por estar viva, correr, pular, me divertir e ser feliz sem precisar matar e comer animais". Leia a entrevista de Iris a esta blogueira e, depois, belisque um pastel de tofu preparado por ela e anote a receita - aliás, a moça cozinha e muito bem. Portanto, fique à vontade.

A pergunta óbvia: como você chegou até aqui sem comer carne, sequer na infância?
Sou a terceira geração de vegetarianos da minha família, fui educada assim. Não sei dizer as razões que levaram minha avó a ser vegetariana, sei apenas que nasci com isso. Já aconteceu de eu comer sem querer uns pedaços de peixe numa sopa. Aliás, caldos em geral podem ser perigosos...

E quando começou a crescer, questionou, pensou em desistir...?
Pensei. Até ir para a escola, ser vegetariana para mim era normal, era simplesmente a minha alimentação de casa, do dia-a-dia. Mas os colegas perguntavam, achavam estranho, então passei a questionar também. No entanto, resisti. Depois, aos 19 anos, já na universidade, questionei a sério, eu me perguntava se não devia pelo menos experimentar, conhecer. Fui procurar entender melhor o vegetarianismo, estudar, ler, ver filmes, saber se podia me causar problemas. Foi aí que me engajei de verdade, me tornei consciente. Hoje me considero vegetariana por opção, por razões ecológicas e outras, mas principalmente porque não gosto da ideia de comer animais - afinal, nós, seres humanos, também somos animais.

Você se sente diferente dos outros, de todas pessoas que conhece, por nunca ter provado um pedaço de carne?
Sim, me sinto diferente. Este é o aspecto mais importante da minha vida, da minha educação, da minha profissão. Se eu não fosse vegetariana, seria uma pessoa totalmente diferente. É no fato de não comer carne que baseio todas as minhas escolhas, da comida aos lugares que frequento, livros que leio, tudo. É a minha maneira de ver o mundo.

Imagino que não seja fácil ser vegetariana neste mundo. São muitos percalços?
Depende. Já tive que trabalhar fazendo compras para um restaurante e me sentia indisposta na ala das carnes do supermercado, por exemplo. Posso ter problemas para comer fora, mas é raro. E nunca deixei de ser convidada para a casa das pessoas... porque também como de tudo, não sou aquela vegetariana radical, que só come cereais integrais, etc. Longe disso!

Ah, você come as chamadas "bobagens" também?
Claro! Eu tenho os mesmos problemas de alimentação que todo mundo! Quando fico angustiada como muito... e adoro chocolates, doces, batata frita... tudo o que faz mal! Tive uma fase em que engordei bastante, aí precisei aprender a comer outras coisas, porque já estava enjoada de omeletes!

***
Iris presenteou este Anastácia com receitas e fotos deliciosas. Concebeu muitos pratos durante estágios universitários, especialmente um que teve um tema de nome compriiiido: "Elaboração de um manual de alimentação vegetariana para estabelecimentos de restauração e bebidas". Mas vamos por partes. Por ora, fique com o pastel de tofu, feito e fotografado por ela e que foram elaborados com:

- tofu triturado com alho e sal de ervas da figueira da Foz (das Salinas Eiras largas)
- batata cozida e desfeita
- cebola picada
- salsa picada
- ovo
- azeite
- óleo para fritar


16.7.08

Boteco Casual Retrô





Passear pelo centro do Rio de Janeiro é uma das das minhas atividades preferidas. Se puder andar por lá e ainda almoçar no Casual Retrô, do Chef Santos, nada mais falta para me deixar feliz por um dia inteiro. E se eu puder ainda devorar uma punheta de bacalhau (R$ 19,00), como esta da primeira foto, com o divino pão que a acompanha, posso morrer ali mesmo. É uma das melhores que já comi, garanto. Sempre indico a punheta, ops, do português-torcedor-do-Sporting Chef Joaquim Santos, para qualquer um que me perça boas dicas. Mas preste atenção: á quase um prato de alho com bacalhau, porque o danado carrega do alho - e no azeite, claro. Eu adoro. A porção só tem um problema: duas pessoas podem ficar satisfeitas ali mesmo. Depois, é preciso pedir um prato para dois, porque a punheta é a boa que satisfaz. Da última vez que estive lá, dividi um escondidinho de bacalhau (R$ 37,00) delicioso, embora eu tenha sentido a falta de um pouco mais de sabor do peixe. Mas a textura e cremosidade do prato são incríveis. Adoro pensar que estou comendo papinha de criança. Dizem que é por isso que a tal comfort food faz sucesso. Bom, no Casual Retrô, também já devorei pratos de frutos do mar, bolinhos de bacalhau e outras
delícias. O prato do dia é sempre a melhor pedida, e com as entradinhas, pode ser dividido. Vá lá sem medo. E beba um chopp geladinho por mim.
Boteco Casual Retrô
Rua do Rosário, 24, Centro, Rio de Janeiro
tel. (21) 2233-6904

15.12.07

Arroz de pato


Acho que este é o mais famoso arroz de pato do eixo Rio-São Paulo, servido no Antiquarius (das duas cidades) e nos seus filhotes Da Silva, o "quilo chique" da casa. Procurei na Internet pela receita original, mas nada de encontrar. No canal UOL Estilo, achei uma receita que parece bastante com o prato do restaurante português (mas aviso que não testei, hein?):

Ingredientes (para 8 pessoas)
- 1 pato de 1,5 kg
- 1 cebola picada
- 1 maço pequeno de salsinha picada
- 2 cabeças de alho
- 1 tablete de caldo de carne
- 1 pitada de molho inglês
- sal
- 400 g de arroz
- 50 g de azeitonas verdes sem caroço
- 300 g de linguiça portuguesa em rodelas

Modo de preparo
Cozinhe o pato inteiro em uma panela, em fogo baixo, com a cebola, a salsa, o alho, o caldo de carne, o molho inglês e o sal por cerca de uma hora ou até ficar macio. Retire do fogo, coe o caldo e reserve. Corte o pato em pedaços pequenos. Prepare o arroz com o caldo reservado (se necessário acrescente mais água). Para servir, coloque o arroz em uma travessa, distribua o pato e as azeitonas. Enfeite com as linguiças.

E para comer o verdadeiro e delicioso arroz de pato do Antiquarius, vá até lá:
Em São Paulo, na Alameda Lorena, 1884. No Rio, na Aristides Espínola, 19. Nos dois, prepare-se para gastar bem (mais de R$ 100,00 por pessoa?). Ou faça como eu e conheça o Da Silva, na avenida Graça Aranha, 187, no Centro carioca. No "quilo chique", o mesmíssimo prato, feito com os mesmíssimos ingredientes (pelo menos é o que garante o Antiquarius) onera menos seu bolso. Vale cada centavo.

24.9.07

A 'Baixa' Cadeg




A Cadeg, Companhia de Abastecimento do Estado da Guanabara, como o próprio nome sugere, é um mercadão gigantesco, com centenas de lojas. Imagino que, de madrugada, aquilo seja uma loucura. Caminhões entrando e saindo, feirantes e supermercados se abastecendo, gente gritando, andando para cima e para baixo. Mas fui conhecer a Cadeg no sábado à tarde, quando as lojas estão fechadas e rola uma tradicional festa portuguesa, ao ar livre. É sensacional. Os mais frescos devem achar que a Cadeg não está instalada num lugar muito aprazível (em Benfica, na Zona Norte, perto do pavilhão de São Cristóvão e de um monte de favelas). Mas isso não importa. A única coisa que interessa é ver portugueses exilados no Rio (todos vascaínos, claro) dançando músicas típicas a tarde toda, comer sardinha e bacalhau na brasa a preços baixíssimos, tomar cerveja de garrafa na mesa de plástico e ainda sair de lá com sacolinhas cheias de embutidos da terrinha. Dá uma olhada no bacalhau e na sardinha. Humm... delícia.

Cadeg
Rua Capitão Féliz, 110, Benfica
A festa portuguesa começa cedo, antes do meio dia, e acaba lá pelas 17 horas.

1.8.07

O bacalhau do Parrô do Valentim





Parrô do Valentim, em Itaipava. Eu nem vou dizer nada, é só olhar a foto do bacalhau maravilhoso. Foi lá que aprendi a gostar de bacalhau, há uns cinco anos (pois é, descobri tarde, eu sei!). A verdade é que minha família não tem nada, nada de portuguesa - de um lado, é italianíssima; de outro, é espanhola e polonesa. E sempre morei em São Paulo e Curitiba, longe da cultura lusitana que pega todo mundo no Rio, independente das origens familiares. A única vez que comi um bacalhau lá em casa foi uma experiência simplesmente horrível! Traumatizei, sabe? Enfim, fui apresentada ao bacalhau gostoso e me apaixonei para sempre - pelo bacalhau e pelo namorado - lá no Parrô do Valentim. O restaurante tem estrelas no Guia 4 Rodas, é super bem cotado pelos críticos. As paredes estão forradas de reportagens elogiosas. Mas não é caríssimo. É simples, faz você se sentir em Portugal, o que não chega a ser uma novidade no Rio de Janeiro. Para homenagear nossos amigos lusitanos (Elvira, o caranguejo era para você, sim!), aí vai uma receita que tirei do livro "Grande livro das receitas de bacalhau", que saiu no Brasil pela Editora Impala. Escolhi uma que leva vinho do Porto, que nunca vi nos restaurantes por aqui. Aproveite e dê uma olhada aqui: http://www.parrodovalentim.com.br/
E babe!

Bacalhau com vinho do Porto (para 4 pessoas)

Ingredientes
4 postas de bacalhau demolhado
200 ml de azeite
1 quilo de tomate maduro
2 dentes de alho
1 maço de salsa
200 gramas de cogumelos
1 cálice de vinho do Porto seco
800 gramas de batatas
2 ovos
farinha, azeite, farinha de rosca, sal e pimenta a gosto

Modo de preparo
1. Tire as peles e as espinhas do bacalhau e corte-os em filés. Em seguida, passe-os pela farinha, frite-os no azeite e escorra em papel toalha.
2. No mesmo azeite, faça um refogado com o tomate, sem pele e sem sementes, a salsa (ambos picados), os alhos esmagados, os cogumelos cortados em pedaços e o vinho do Porto. Tempere com sal e pimenta e deixe cozinhar em fogo brando, por 15 minutos.
3. Nesse meio tempo, descasque as batatas e cozinhe-as em água temperada com sal. Depois de cozidas, passe-as pelos ovos batidos e frite em azeite. Coloque os filés no prato refratário, regue-os com o molho de tomate e salpique com farinha de rosca.
4. Leve ao forno durante 15 minutos. Sirva com as batatas.

Sugestão - Depois de passar as batatas pelo ovo batido, passe-as também por farinha de rosca e frite-as em seguida.

2.4.07

Bacalhau do Rei





Voltei ao Bacalhau do Rei, na Gávea, depois de muitos meses. Desta vez, comi Risoto de Frutos do Mar e Bacalhau. Estava delicioso, como tudo o que se serve lá, mas nada se compara ao bolinho de bacalhau dos caras. É sensacional. Sequinho, com batatas na medida certa (leia-se pouca batata, neste caso). Cada um custa R$ 2,00. O problema é que o garçom deposita uma cesta cheia deles na sua frente e você paga o que comer. Adivinha? Ah, numa das paredes uns cartazes antigos de matérias de jornal te mostram que personalidades elegeram aquele o melhor bolinho de bacalhau do mundo (ou quase isso). E de sobremesa, gemas de ovos, claro, várias delas recheando um pastel de Santa Clara.

Numa brincadeira, reproduzo aqui um post que escrevi em 16 de julho de 2006, na página do Rio no Metroblogging, para o qual escrevi algumas vezes a convite do amigo Marcelo Nóbrega:

"Este post é uma declaração de amor. Ao bacalhau. A foto não é das melhores, mas o prato... Nem acredito que um dia detestei. Aprendi a gostar no Rio, claro. Depois, em Portugal, comi os melhores da minha vida. Bacalhau para os cariocas é como o macarrão para os paulistas. A diferença é o preço. O que me intriga é saber que, aqui, sempre se dá um jeitinho de comprar o peixe. E todo mundo tem sua receita especial. Ontem eu dei o meu próprio jeito e jantei no Bacalhau do Rei... Um prato vale mais que mil palavras. Minha Nossa Senhora... sem comentários."

Bacalhau do Rei
Rua Marquês de São Vicente 11-A, Gávea, Rio de Janeiro (óóóóóóóóbvio)
Fone: (21) 2239-8945

18.1.07

O primeiro bacalhau (decente) a gente nunca esquece


Bacalhau! Sempre odiei, até conhecer o Ramiro. Na fase da conquista, o carioca-português me levou para passear em Itaipava. Fomos ao Parrô do Valentim. "É um dos melhores restaurantes do Brasil", dizia o galanteador, querendo impressionar. Ramiro não é muito de tomar decisões rapidamente quando se trata de comida, costuma passar horas analisando um cardápio. E mesmo quando a intenção é só beber, folheia os menus, só porque gosta. Mas eu só descobriria a faceta indecisa do moço depois. No Parrô (aliás, nunca mais voltei lá, pena), deu a decisão sem pestanejar. Um bacalhau com natas, por favor. Pensei imediatamente nos sacrifícios que se faz quando se está apaixonada. Imaginei que aquilo ficaria guardado pra sempre em mim, e se a gente um dia casasse e depois se separasse, fatalmente eu jogaria na cara dele todas as concessões que fiz durante a vida a dois. E aquela certamente seria uma delas. Eu odeio bacalhau. Ou melhor, odiava.

Desceu o tal bacalhau com natas. Fechei os olhos e me concentrei. Não sei se foram os lindos olhos do Ramiro ou se, de fato, eu havia nascido para gostar de bacalhau. Finda a refeição, eu, surpreendida, contei que não gostava daquele peixe salgado, para desespero do interlocutor. "Vixi, meu Deus, por que você não me avisou? E eu nem costumo pedir assim, sem perguntar". Ah, que é isso, Ramiro. Ainda bem que você deu uma de macho aquele dia. E hoje, já são ncontáveis os pratos de bacalhau que comemos. Incontáveis. Este da foto é um deles. Foi traçado num restaurante no Porto, em frente ao Mercado do Bolhão.

Não posso dar muitas dicas sobre o Parrô do Valentim, estivemos lá há alguns anos. Mas confira o site e a receita do bacalhau que tirei de lá.


BACALHAU COM NATAS

Ingredientes

3 postas de bacalhau;
4 cebolas;
1 dente de alho grande, picado;
1 folha de louro;
1/2 xícara, das de chá, de azeite;
1 pacote de creme de leite;
Sal e pimenta do reino, a gosto;
Farinha de rosca;
Puré de batata;

Ingredientes do Puré de Batata
1kg de batatas;
1 colher de manteiga ou margarina;
1 pitada de pimenta;
1 pitada de noz moscada;
Leite;
Sal, a gosto.

Como preparar

O bacalhau, previamente demolhado, deve ser limpo, tirando-se dele a pele e as espinhas e desfiado. Num tacho, em fogo brando, leve a cozer no azeite, a cebola cortada em rodelas finas e o dente de alho picado. Junte a folha de louro e o bacalhau desfiado e deixe refogar, sempre em fogo brando, mexendo, de vez em quando, com uma colher de pau, até a cebola ficar transparente. Retifique o tempero de sal e pimenta do reino e reserve.Para obter-se um puré de batatas mais saboroso, as batatas, depois de cozidas em água e sal e amassadas, devem ser temperadas com noz moscada, pimenta do reino e margarina ou manteiga. Acrescenta-se, então, o leite morno, aos poucos, até que se obtenha a concistência desejada e retificam-se os temperos. Forre um tabuleiro de pirex com o puré de batatas e, por cima espalhe o bacalhau. Cubra tudo com creme de leite fresco, ligeiramente batido e polvilhe com farinha de rosca. Leve a gratinar em forno quente, por alguns minutos, sirva bem quente.