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14.6.17
15.4.13
2.4.13
Guia Gastronômico das Favelas do Rio
Depois de meses de pesquisa, trabalho e espera, finalmente, é chegada a hora!
Vamos lançar o Guia Gastronômico de Favelas do Rio, com edição de Sérgio Bloch, textos meus e fotos sensacionais de Marcos Pinto, na Livraria Cultura, no Centro do Rio de Janeiro.
E atenção para as legendas destas belezuras aí de cima: o medalhão do Bar Lacubaco, no Vidigal; Tino e Leandro, pai e filho, donos do Bar do Tino, no Morro do Prazeres (a vista é 'feia'...); a vista que se tem da Laje do César, no Chapéu Mangueira (só abre para eventos); a comida maravilhosa - baião de dois, costela de boi, salada e farofa do Restaurante 48; o frango no bafo do Bar do Tino; Augusto, do 48, com o chef Olivier Cozan, com quem ele trabalhou; a capa do livro, que tem design assinado pelas meninas da Traço Design; e o Big Favella, do Complexo do Alemão - pertinho da estação Itararé do Teleférico.
Façam boa viagem pelas favelas cariocas. Bom apetite!
21.3.13
O pastel de choclo chileno
Dei uma entrevistinha rápida e leve sobre gastronomia e otras cositas para o site curitibano Reve de Mode (obrigada, Jaqueline!) outro dia. Falei sobre o pastel de choclo, comida típica chilena que provei em Santiago e que se tornou minha mais nova preferência gastronômica - até que outra venha no lugar, claro. O pastel de choclo não é um pastel, e sim uma espécie de mingau a base de milho e carnes em pedaços (vaca, frango e porco). Trata-se de uma receita exemplar da mistura de influências dos índios e espanhóis na culinária do país. Os primeiros usavam largamente o maiz (milho) na sua alimentação, enquanto os colonizadores trouxeram o hábito do consumo de carnes variadas - no Chile, o refogado de carne com cebola, aji (pimentas) e cominho se chama 'pino'. O resultado da cominação destes ingredientes e saberes é o pastel de choclo, este mingau perfumado, adocicado e levemente picante, recheado de carnes macias. Escrevo com água na boca.
14.3.13
Restaurante Paris: comer bem e com charme
A nota que publiquei em Marie Claire sobre o restaurante da Casa Julieta de Serpa, no Rio. Recomendadíssimo!
Mercado Central de Santiago
Vá ao Mercado Central de Santiago e, sim, sente numa das mesas do para lá de turístico Donde Augusto. Não faça como eu, não se irrite com o garçom que age como se você, turista, fosse um estúpido. Mas faça como eu, não coma a caríssima centolla inteira - a não ser que você esteja numa excursão familiar com meia dúzia de gente. Prefira uma porção menor do animal típico da Patagônia, em pedaços, passado na manteiga e a preços muito mais baratos. Se você gosta de caranguejos e frutos do mar similares, vi gostar. Ah, não esqueça do vinho - chileno, obviamente. E faça como todos os turistas: fotografe as centollas nas vitrines e as ricas barracas do mercado, com seus coloridos e apetitosos ingredientes.
O Mercado está abrigado numa belíssima estrutura de ferro (como a maioria dos mercados centrais ao redor do mundo, aliás, de fins do século 19 e início do 20) e foi inaugurado em 1872. É uma das principais e mais interessantes atrações de Santiago, imperdível. Divirta-se.
1.8.12
Ingredientes do Peru II - Mercado de Cuzco
Vamos começar pelo clichê: o mercado de Cuzco é um mundo de sabores e cores, a gente não sabe para que lado olha. O olfato também não deixa de trabalhar, aliás. Há sujeira e pobreza, mas há também fartura, riqueza cultural, ingredientes locais. Aliás, o que mais me impressionou no mercado de Cuzco é que a maioria dos produtos vendidos ali são produzidos no país, na região e, quando processados, são artesanais, caso do pão e do queijo. Em todo o Peru é possível constatar, seja nos restaurantes mais chiques ou nas biroscas mais populares, que a comida servida é impregnada de latinidade, de peruanismo, de tudo o que se vê percorrendo o país pelo interior. O que vi - e compartilhei - as cholas comendo sentadas numa praça de uma pequena vila entre Cuzco e Puno nada mais era do que os mesmos ingredientes que comia nos restaurantes estrelados à noite, porém, preparados de forma tradicional, à moda antiga. Milhos, batatas, pimientos são a base desta culinária - veja a extensão da barraca de batatas no mercado, e a variedade de papas que ela oferece; assim também acontece com os milhos, que são vendidos em várias cores e tamanhos, frescos, secos, choclos. A rã boiando na bacia estava à venda para ser batida no liquidificador ainda viva, ali mesmo, e esta "vitamina de rã", digamos, era oferecida aos fregueses a preços baratinhos. Serve para garantir virilidade, por supuesto. Já estes pães enormes são preparados com farinha de milho por mulheres que vivem próximo a Cuzco, e a procura por eles é grande. Garantimos o nosso, gostei, é comida para um batalhão. Continua...
Ingredientes do Peru I
Um pouco do Peru, em imagens sacadas no mercado de Cuzco. De cima para baixo: primeiro, um milho negro, uma das centenas de espécies deste cereal que os peruanos cultivam. Depois, ao meio, um queijo amarelo curado e, o que me pareceu mais impressionante, por último, papas blancas. São batatas expostas à água gelada dos rios e lagos durante um ou dois meses, até que se tornam secas, consumíveis em qualquer tempo. Trata-se de uma maneira de driblar a escassez e/ou a deterioração natural do ingrediente. Os tipos de papas, batatas, são centenas no Peru. A riqueza culinária do país é impressionante e vai merecer ainda alguns posts aqui, desta Anastácia.
11.4.12
Brasserie Rosário
Dia desses fui resolver pendências no Centro do Rio e aproveitei para tomar um café na Brasserie Rosário, e então percebi que nunca tinha falado dela aqui no blog, apesar de já tê-la frequentado algumas vezes. A casa, em pleno Rio Antigo, produz pães e doces de confeitaria deliciosos, tem mesinhas charmosas na rua -- fechada para carros -- e um ambiente de móveis de madeira aconchegante, apesar do pé direito alto. Lá dentro, um restaurante sobre o qual não posso opinar, já que nunca provei dos pratos anunciados na tabuleta de giz. Mas o lugar vale a visita, principalmente, por estar onde está. A Rua do Rosário é uma graça, com seus sobradinhos coloniais reformados e bem cuidados. Além disso, o sobrado no qual está instalada a Brasserie servia como sede da Tesouraria do Império, nos tempos de D. João VI.
Brasserie Rosário
11.4.11
Boa surpresa no Bar do David, no Chapéu Mangueira
Começamos, eu e Sérgio Bloch, a fazer as pesquisas para o nosso Guia Gastronômico das Favelas do Rio - o título é provisório -, o segundo da série depois do Guia Carioca da Gastronomia de Rua. E estivemos, na semana passada, no Bar do David, no Chapéu Mangueira, charmosa favela do Leme. David serve uma feijoada de frutos do mar deliciosa, bem temperadinha, com feijão branco, camarões, lula e mariscos que, jura o dono do restaurante aberto há um ano, são pescados por ele (!). Além de simpático e dono de um belo sorriso, David é mergulhador e pescador. Uma porção (gigantesca) de arroz branco, um potinho de uma saborosa farofa de alho, molho de pimenta caseira para acompanhar o prato e está garantida a satisfação do cliente.
A feijoada tem feito sucesso às sextas-feiras, e para quem trabalha ou está de bobeira por Copacabana ou Leme durante a semana, recomendo uma visita ao lugar. Para subir o morro, faça uso dos serviços de um mototaxi na entrada da ladeira Ari Barroso. E não se preocupe: o Chapéu Mangueira, assim como o Babilônia, ao lado, estão pacificados. No David, a porção "individual" sai por R$ 10,00, mas eu poderia, tranquilamente, dividir com outro esfomeado. Já o meu querido Sérgio, famoso bocão, devorou a dele sozinho. Enfim, quando se trata de comida boa, quantidade é algo relativo.
David só abre para o almoço, de segunda a sábado, e tem sempre quatro opções de pratos feitos por dia. Três delas nunca mudam - o filé de peixe com purê (R$ 8,00), filé de frango com purê (R$ 8,00) e o contrafilé com fritas (R$ 10,00). Os que passaram por mim a caminho de outras mesas me deixaram com água na boca. Diariamente, há sempre um prato diferente, pode ser carré, costela com agrião e outros. Na cozinha, quem comanda as panelas é a irmã de David, Maria Lúcia, que gosta de ser chamada de "Baby". Vida longa aos dois e à sua feijoada de frutos do mar.
21.3.10
O pão quentinho de Óbidos


Coisas que só se pode ter em Portugal: deliciosos pães recheados preparados por simpáticas senhoras em sua simpática cozinha na linda e muito mais que simpática cidade de Óbidos. Se alguém um dia rascunhasse uma lista de remédios para a alma, colocaria certamente o pão caseiro quente no alto do ranking - ali, em primeiro ou segundo lugar, tendo como companheiro a batata assada com manteiga e o mingau de aveia com açúcar e canela... Lá em casa - "minha casa" ampliada, que inclui as casas da minha avó, tios e tias -, entre um pão e outro preparado pela dona Ignez, minha avó querida, há sempre uma polêmica em torno dos segredos que envolvem o preparo de um bom pão, "é a mão do cozinheiro", "é o tempo de descanso", "é a temperatura do forno"... Lá pelas tantas, dona Cecília, responsável por esta que vos fala, repete sempre a mesma frase, em tom choroso: "Eu nunca aprendi a fazer pão como a sua avó". Sabe, sim, mãe, claro que sabe. É que o pão da mãe da gente é sempre melhor que qualquer outro!
Devo dizer que devoramos em família - eu e as tias! - este pão quentinho da foto, acompanhado de um bom vinho bebido no gargalo, dentro de um carro. Pão quente, vinho, família: é para ficar com a alma lavada!
20.3.10
Sol para as maçãs
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