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27.3.12
Dei uma entrevista ao site Les Brasileiros, escrito por uma jornalista francesa que mora no Brasil, a Laurence. O site é bem interessante, fala sobre o Brasil e os brasileiros de maneira diferente, com matérias que explicam, por exemplo, o que é o "chá de panela", "a história do açaí", "o mercado de motéis no Brasil"... Curioso. A moça entrou em contato comigo porque tinha leu meu livro e adorou. Convidei-a para vir aqui em casa, tomamos café, provamos uma torta de banana que fiz com uma receita do livro Dona Benta e caímos na conversa. Teretetê, teretetê, tricô, tricô, foi uma delícia. Depois, Laurence transformou tudo em um ping-pong resumido e publicou aqui. Mas ainda melhor que conversar sobre comida de rua e tal, coisas sobre as quais adoro falar, foi saber da própria Laurence suas impressões gastronômicas e culinárias do Brasil. Ouvi coisas como "nunca vi um país onde as pessoas comem tanto", "aqui tem lugar para comer qualquer coisa, a qualquer hora, em qualquer rua...", "vocês brasileiros não têm hora para comer. Na França ninguém passa o dia beliscando", "os pratos são muito grandes, as porções para dois geralmente servem quatro pessoas". E a parte chata: "Aqui é absurdamente caro, e às vezes muito mais do que em Paris". É, pessoal, do jeito que a coisa vai, vamos acabar gordos e pobres. Ou não... (em homenagem ao querido Chico Anysio).
15.11.09
Londres, A Cidade




Com as minhas desculpas pela ausência durante este tempo, aí vão algumas imagens da incursão desta Anastácia por outras paragens, lá de cima, d'A Cidade, a capital do mundo globalizado, Londres. E como tal, não poderia deixar de ser: ela me ofereceu um festival de junkie food. É disso que gosta. Sausages, hamburgers, donuts, fish and chips. Diria que é quase impossível escapar. Mas seria uma injustiça sem tamanho dizer que Londres é só isso. De jeito nenhum. Para mim, foi uma experiência gastronômica surereendente e inesquecível. A começar pelo Bourough Market, talvez o mercado mais sensacional que já conheci. Mas isso é outro assunto...
25.10.09
Sobre o podrão (do Porto), algumas considerações


Este cachorro-quente - para os cariocas, o popular "podrão", e para os curitibanos, o "dogão" ou ainda, quem sabe, simplesmente o "pão com vina"... enfim, o aposto desta vez foi tão grande que perdi o fio da meada. Vamos lá, de novo. Este cachorro-quente foi traçado numa praça da cidade do Porto, lá pelas tantas da madrugada, quase dia claro, em excelente companhia de uma grande amiga. Ou seja, exatamente como devem ser traçadas estas igua(porca)rias que só fazem bem à nossa alma, e depois podem nos custar o sono. A receita do podrão por aqui é inspirada nas nossas, leva batata palha, milho verde, estas coisas - mas este aí tinha ainda uma cenourinha, que é excelente ideia, já que bota lá umas vitaminas e dá uma crocância gostosa. Outra boa ideia que os podrões brasileiros podiam copiar: pendurar tetas gigantes como as da foto, cheias de maionese, catchup, mostarda para facilitar a vida do cliente. E para terminar, que fique bem claro: eu não acho que ninguém deva consumir estas merdas, por favor. Mas a salsicha sai do corpinho, mais cedo ou mais tarde e seja lá de que forma, como tudo mais que entra pela boca. Portanto, já que alimento também deve ser bom para o espírito e o coração, de vez em quando, desde que em determinadas condições (fome, madrugada, bons amigos, bagunça), um podrão bem traçado no meio da rua não faz mal nenhum.
28.6.09
Vatapá paraense
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A comida do Pará me pegou de jeito desde que estive em Belém. Com saudades, corri dia desses para a feira da Torre de TV, aqui em Brasília, que abriga uma barraca de delícias paraenses. Já tinha tomado o tacacá no mesmo lugar, quando minha querida amiga Juliana bateu asas pela cidade, e achei bom - embora pudesse ter menos goma e mais tucupi. Voltei para provar o vatapá paraense, sentada na barraca, no melhor estilo Ver-o-Peso. Cervejinha gelada, pimenta brava e farinha, pronto, não precisa mais nada. Só um solzinho gostoso de domingo. (Aliás, a feira é diária, mas as barracas de comida só abrem aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30).
24.7.08
Belmonte na Cadeg?


Meu amigo Alexandre Arruda, jornalista dos bons, é um romântico-nostálgico, como esta que vos fala. Esteve na Cadeg dia desses e não se conformou com o que viu: o fim de uma tradicional churrasqueira do tradicional point de Benfica, o tradicional bairro do Rio de Janeiro. Enfim, a onda do "mudérrrno" passa por esta cidade e não deixa pedra sobre pedra. Arrasa quarteirões, botecos, garrafas, histórias e até churrasqueiras. Por isso, meu amigo Arruda não deixou barato e escreveu as linhas indignadas que se seguem. Reproduzo com prazer e faço minhas suas palavras. Mais uma vez, obrigada pela colaboração, companheiro de romantismo e nostalgia! (Veja as fotos e compare as duas: a antiga e a nova, que até brilha. Onde já se viu boteco ter equipamento que brilha desse jeito, rapá?)"Encostado no balcão, tentava engolir a cerveja, que rasgava a garganta. Não podia acreditar no que via. Ali, na minha frente, estava ela, imponente, reluzindo ao sol.
Faiscava como prata nova, recém-polida.
Faiscava como prata nova, recém-polida.
As velhas companheiras, porém, não se intimidavam. Continuavam a exercer sua função com a dignidade de quem sabe o seu valor. A brasa crepitava e corava os enormes nacos que giravam lentamente, movidos pelas antigas engrenagens expostas e sujas de graxa. Vários andares de carne suculenta que podem ser apreciados de qualquer ângulo que se olhe. Ou melhor: podiam. Porque vão aposentar as duas mais tradicionais churrasqueiras da Zona Norte: as da Cadeg, em Benfica.
No seu lugar, um caixote de metal como os que existem em restaurantes 'a quilo'. E crime dos crimes: não duvido que seja a gás. A gás!
No sábado ela já estava lá, ainda desligada (é, porque essas coisas têm até botão de 'on' e 'off').
Por via das dúvidas perguntei ao homem de balcão, como quem não quer nada: 'vão trocar?' e a resposta veio fulminante: 'uma já está até vendida'. Nem tudo está perdido, porque em algum lugar elas continuarão existindo.
É por isso, Anastácia, que mando esta carta. Para registrar o fim de uma era. Agora, quando nos reunirmos ali para a velha cerveja amiga, não teremos o espetáculo visual de outrora, nem a fumaça cheirosa que dominava o ar. Agora é tudo 'limpinho'. Qualquer dia vamos chegar lá e, em vez do boteco, vai ter uma filial do Belmonte."
12.11.07
Casas Pedro




Não há lugar no mundo como as Casas Pedro. São centenas e centenas de artigos para culinária. Um verdadeiro paraíso. Mais de 80 temperos diferentes, azeites, cereais, doces, conservas, frutas secas, importados de todos os tipos. Além de tudo isso, as esfihas são deliciosas. Massa fininha, recheio na medida, saborosinha. As Casas Pedro existem há 70 anos na 'Cidade' - como carioca chama o Centro da... cidade.
13.8.07
Feira de São Cristóvão II


Pimentas, manteiga de garrafa e doces da Feira de São Cristóvão, o lugar mais animado desta cidade e terra de incontáveis Severinos (minha amiga Mariana tentou, mas não descobriu quantos são). Tudo coisa boa. Mas a pimentinha, como se costuma dizer, é para "baiano treinado". Oxente, cruzes! Já a manteiga de garrafa, que vai à mesa, funciona bem demais em cima de um apim cozido, daqueles bem molinhos, derretidos. E os docinhos são para alegrar a gente, que nada melhor que uma bela colherada de doce de leite ou um pãozinho com geléia. Hummm... delícia.25.6.07
Viva São João!



Direto da Feira de São Cristóvão, a melhor feira nordestina fora do Nordeste, curau, cocada, milho... humm, delícia! Tem mais Feira de São Cristóvão por aí, já já. Passei algumas horas lá no último sabado e foi mais legal que de costume, com festa junina (eu adooooooro festa junina!), quadrilha, carnes e produtos gastronômicos de todos os tipos... e muito forró, como sempre, claro. Viva São João!20.4.07
Dia de feira
Hoje tem feira na Praça Nossa Senhora da Paz, uma maravilha, uma delícia. Como disse minha vizinha mineirim gourmet, Lívia, "a gente come de tudo, menina, eles oferecem!" Hahahaha. Mas o negócio lá é se acomodar num banquinho de plástico na barraca "O Gostosão", pedir um caldo de cana e um bolinho de aipim com carne seca, daqueles grandões, cheeeeios de gordura. Enquanto você come, paga uns dois bolinhos para alguns meninos com fome e fica olhando o movimento. Sensacional.16.2.07
O salsichão da Rozane



Não era para ser, mas acabou virando uma homenagem à minha amiga Rozane, que morou em Praga e me confessou que era apaixonada pelos salsichões de rua da cidade. E não só ela, pelo jeito. As barracas fazem um sucesso danado. A moça não pára de enfiar salsinha no pão, uma atrás da outra. E pergunta, num inglês cheio de sotaque: "Cátchãp? Mástard? Ónión?" Aí o sujeito tem que ir respodendo, e rápido, porque ela não tá de brincadeira. E logo joga o pão imenso com um salsichão imenso na sua frente e manda qualquer coisa em tcheco que certamente quer dizer "Próximo!" E lá vai ela meter mais uma no pão. Antes, claro, o sujeito precisa escolher. Há oito varidades de salsichas, com a devida inscrição na tabuleta, em tcheco, inglês e alemão. Não ajuda muito.
Tracei a mais incompreensível delas, exatamente por isso. Dizia "Wenceslas dfjsfkjrfj", em tcheco. E em inglês, embaixo: "Wenceslau sausage". Ou seja, salsicha Wenceslau. Ah, não diga. Vai essa mesmo, please. Paguei os míseros 40 Koronys - 1 euro e uns quebrados. A moça quase arrancou da minha mão a moedinha que eu buscava no meio das outras: "This one is fifty". Toma aqui dez de troco e sai da minha frente, querida. "Próximo!"
Salsichão gigante, com bastante mostarda e cebola, saboroso e tal. Já tinha comido desses na Alemanha. Fiquei satisfeita quase uma tarde inteira, e joguei fora uns pedaços de pão, que é ainda maior que o recheio. Como diz minha avó, me regalei.
Ah, sim. Já ia me esquecendo. O copo na foto está cheio de vinho quente, ou hot wine, como eles dizem aqui para facilitar a vida dos turistas. É execelente. Melhor até que o salsichão, já que o mais importante, às vezes, é espantar o frio primeiro para depois comer. Para os paranaenses, é o nosso bom e velho quentão. (Mas para o outros, não. Quentão em São Paulo é uma cachaça quente com canela e tal. Naquelas bandas, isso aí é vinho quente mesmo)
14.2.07
Crepe de nutella (eu não comi!)





Este homem faz crepes na Rue de Rivoli. É óbvio que eu não sou louca de traçar um crepe de nutella, como este que o bigodudo está fazendo, já que 100 míseras gramas desta coisa tem 513 calorias. Mas mandei ver um de queijo com presunto que estava delicioso (aliás, o que eu não como aqui que não é bom?). Por 4,15 euros. O crepe é tão grande que passei outras seis horas sem a mínima fome, coisa rara, no meu caso. bom, fica aí o filminho do nutella, que preferi guardar assim este crepe que deve ser delicioso, e não nas minha região abdominal.
L'as du falafel




O Marais é o segundo bairro mais lindo de Paris, na minha modesta opinião, claro. Muitos podem se revoltar, porque, de fato, o Marais disputa o primeiro lugar. Mas ainda perde para Montmartre. Enfim. Isso é outra história.
Fato é que no Marais, povoado por judeus desde sempre, está o restaurant L'as du Falafel, que serve o melhor falafel do mundo ocidental (não sou eu que digo isso, e nem poderia porque não comi muitos destes na minha vida, são as reportagens do New York Times e do Le Monde coladas na parede). Fui pesquisar e descobri que, como tudo neste mundo, há várias maneiras de se fazer o falafel. Lá no Marais, na janelinha de vente à emporter (que faz na hora pra você levar e, geralmente, comer ali na rua mesmo), o falafel vem dentro de um pão, com muito repolho, uma espécie de molho à vinagrete (ou à campanha, para os cariocas) e outro mais cremoso. Você vai cutucando com o garfo, e comendos os bolinhos, deliciosos, que encontra no meio do pão. Se aguentar, não foi o meu caso, manda ver também o pão, que no final fica molhadinho (ops). As receitas que encontrei não falam em repolho, e eu achei um pouco exagerada a quantidade desta verdura que, normalmente, me faz lembrar dela o resto do dia.
Mas, se você tiver dinheiro, coma o falafel sentadinho lá dentro do restaurante. Ali no meio da rua é uma aventura. As pombas insistem em dividir o sanduíche com você. E, bom, está frio por aqui, né? O que torna um lugar fechado com mesas, cadeiras e bebidas sempre uma boa opção.
L'as du Falafel (para levar, um sanduba sai por 4 euros)
Rue des Rosiers, 34
Marais, Paris
Recita de falafel
Bolinho:
1 colher (sopa) de cebolinha verde picada
½ colher (chá) de coentro em pó
1 colher (chá) de cominho em pó
1 colher (chá) de pimenta síria
1 colher (sopa) de fermento
1 colher (chá) de sal
½ xícara de salsinha picada
1 xícara de grão-de-bico
3 dentes de alho amassados
1 batata ralada bem fininho
1 cebola grande picada
Molho de gergelim:
1 colher (sopa) de suco de limão
1/3 de xícara de tahine
½ xícara de água
1 dente de alho amassado
sal a gosto
óleo para fritar
Bolinho:
Lavar bem o grão-de-bico e deixar de molho, de um dia para o outro, trocando a água a cada 3 horas. No dia seguinte, escorrer e transferir para um pano limpo. Fechar as pontas e esfregar sobre uma superfície lisa, para retirar a pele. Passar pelo processador e juntar os demais ingredientes. Misturar até obter uma massa homogênea. Umedecer as mãos e fazer pequenos bolinhos. Fritar em óleo quente até dourarem.
Molho de gergelim:
Colocar todos os ingredientes numa tigela média e misturar até obter uma pasta rala. Servir com os bolinhos quentes ou frios.
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