4.3.07

Pastéis de Belém em Belém





O melhor do mundo, sem dúvida. Aquela mistura perfeita entre ovos, farinha e açúcar, nossa senhora. Eles dizem que inventaram, na cidade de Belém, perto de Lisboa (e ao lado de onde saíram caravelas rumo ao Brasil e ao Oriente), os tais pastéis. Fiquei surpresa com o tamanho do lugar. Simplesmente imenso. Salões e mais salões cuja beleza está mesmo nos azulejos azuis das paredes. E nas mesas e cadeiras de madeiras. E nos pastéis sobre elas, claro. Achei também curioso que, num lugar que cheira a antigüidade, em frente ao Pavilhão dos Descobrimentos (eu pensava em Cabral o tempo todo), um garçom pudesse manipular máquinas tão modernas quando aquela da foto. Não combinava, sabe? Mas claro que, com o movimento intenso daquele lugar enorme, não dá para ser diferente.

O que interessa é que o tal pastel de Belém original é muito bom, sim, mas é possível comer vários tão gostosos quanto no Rio de Janeiro, não tenho a menor dúvida. Claro que, uma vez em Lisboa, só um maluco deixaria de visitar Belém e, portanto, só um muito maluco deixaria de comer o pastel, que fica muito próximo da Torre.

www.pasteisdebelem.pt

Receita

Ingredientes (para 20 pastéis)

Massa:

300 g de farinha; 250 g margarina para folhados; sal e água (ou poderá usar massa folhada pronta, e nesse caso só terá que estendê-la e forrar as forminhas)

Recheio:

1/2 litro de creme de leite; 9 gemas; 10 colheres (sopa) de açúcar

Modo de Preparo

Misture a farinha o sal e a água trabalhe a massa até ligar. Divida a margarina em 3 porções. Estenda a massa, espalhe sobre ela 1/3 da margarina e enrole como um tapete. Repita esta operação mais duas vezes, até acabar a margarina. No final deixe descansar 20 minutos. Em seguida corte a massa em quadrados de 2cm de espessura, e coloque cada quadrado sobre uma forma lisa própria para madalenas ou muffins.

Leve ao fogo em banho-maria as gemas batidas com o açúcar e as natas até o preparado engrossar. Deixe amornar e coloque uma colher (sobremesa) do preparado dentro de cada forminha. Leve ao forno até ficarem cozidos e tostados. Podem ser comidos mornos ou frios.

La Boqueria, de Barcelona




É a segunda vez que ponho aqui fotos do Mercat de La Boqueria, em Barcelona. Repetitivo, eu sei, mas vale a pena. Estava babando nas minhas fotos de viagem e encontrei estas. O colorido é surpreendente, sem comentários. Babem também.


Para saber mais, fucem aqui:

Sempre fiel à Confeitaria do Bolhão






Eu me descobri alguém fiel ao seus botecos, bares, restaurantes, pratos. É coisa normal, né? Mas a questão é que eu descobri que posso me tornar fiel a qualquer coisa deste gênero em questão de dias ou até mesmo de horas. Nesta viagem, por exemplo, almocei, jantei, fiz lanches repetidas vezes nos mesmos lugares. Foi assim no Porto, em Paris, em Praga. Como primeira homenagem, aí está a Confeitaria do Bolhão, talvez o lugar que eu tenha mais frequentado no último mês. Obviamente, ser fiel a um lugar não implica deixar de ir a outros. Fui a muitos lugares diferentes, comi muitas coisas diferentes e engordei em diferentes partes do corpo, inclusive. E certamente ir a um mesmo lugar várias vezes faz de você um "frequentador" do ambiente, mesmo que seja por uma semana. O que significa que você se tornou "um pouco nativo", e cria você aquela sensação de "intimidade" com a cidade, as comidas, as pessoas que também frequentam aquele lugar. E além de tudo, aprendi no jornalismo que "menos é mais", ou seja, mais vale contar muito bem uma só história que narrar um pouco de várias parecidas.

Taí, então. Fui cliente fiel d'A Confeitaria do Bolhão, em frente ao mercado, no Porto, durante muitos dias. Comida excelente e barata. Na frente, uma confeitaria mesmo, padaria movimentadíssima. Se ultrapassar o corredor humano, atingirá um biombo que esconde um restaurante, parado no tempo, com garçons muito simpáticos, espelhos ao redor do pequeno salão e gente de todos os tipos, nacionalidades, idades. Não deixe de ir. E peça a Francesinha, qualquer bacalhau ou sopa. Tudo é muito bom.

O leitão do Porto (para Juliana Rocha)


Infelizmente, fui embora de Portgual sem antes traçar um leitão no Porto, que Juliana tanto me recomendou. Mas, se serve de consolo, aí está a foto do bichinho. Agora, espero a abstinência de minha amiga Mamão acabar para devorarmos juntinhas um igual a esse. Hum... delícia...

O Bar Urca





Acho que podemos chamar o Bar Urca de "boteco-derruba-queixo-de-paulista". A reação dos meus amigos é sempre a mesma quando chegamos lá, qualquer meia dúzia de frases que contém sempre expressões religiosas no meio, tudo dito com aquelas caras de embasbacados. Vai de "Meu Deus" a "Nossa Senhora" passando por "Minha mãe", "Jesus!", "Virgem Maria"... Mas eu entendo, gente. É que o Bar Urca é mesmo um negócio lindo, e curioso. Numa esquina em frente ao calçadão (ou calçadinha) da Urca, o bairro mais fofo do Rio, já lá no final, o boteco em si é apenas um balcão (em cima tem um restaurante com vista para o mar também, mas não nos interessa agora), onde as pessoas buscam suas cervejinhas. Dali, atravessam a rua e sentam-se no muro da calçada, onde se tem esta vista que vocês podem ver aí.

O mar é calmo, paradinho, os barquinhos ficam ali balançando levemente e, do outro lado, carros quase não passam porque sabem que não vão para o céu se atrapalharem o deleite dos beberrões. Ali, na mureta, o negócio é conversar, admirar a paisagem e beber. A conta fica lá anotada, e na hora de ir embora você passa no balcão e paga. Há os que preferem ser atendidos pelo garçom no muro, mas eu não recomendo. Não combina com o ambiente. É mais digno atravessar a rua.

Aí na foto, Bel e Claudinha, duas paulistas embasbacadas. Esta útlima, aliás, devorou uns três pastéis, que também merecem nota. São saborosos, assim como a empada (que, embora seja daquelas grandes, e eu prefiro as de uma mordida só, é gostosinha).

Enfim, qualquer um precisa conhecer o Bar Urca. E os paulistas principalmente.

Bar Urca
Rua Cândido Gaffrée, 205 - Urca
Tel.: (21) 2295-8744
Horário: Seg-Sáb, 19h-23h Dom, 11h-19h

Gratin Dauphinois


Reparem detalhadamente na foto aí em cima, por favor. Não tem nada além de batatas, creme de leite fresco, temperos e presunto. Eu não faço absoluta questão deste último ingrediente, porque batatas cozidas molhadinhas de creme de leite ou azeite e salpicadas de sal e pimenta do reino bastam para me deixar feliz um dia inteiro. Mas aí em cima está um Gratin Dauphinois, prato típico francês. Trata-se de um gratinado de batatas com creme e presunto (ou qualquer outra coisa que você preferir). É só intercalar os ingredientes em camadas, batatas, creme e presunto, batatas, creme e presunto. Cubra de queijo e leve ao forno. Ma-ra-vi-lha, como diz um amigo meu.

17.2.07

Assim são (alguns dos) restaurantes tchecos



O restaurante onde fiz três refeições aqui em Praga. Achei super legal porque o preço é bom, as comida é ótima e não tem só turista, pelo contrário. Ah, tem um senhor que toca música tcheca também, e garçons simpáticos. O serviço, aliás, é de primeira. Um pouco rápido demais para o meu gosto, que adoro ficar horas olhando o cardápio. O sujeito perturba perguntando se você já esocolheu. Mas tudo bem, o resto compensa.

Pausa para admirar a beleza de Praga II


Não resisto, preciso compartilhar isso aqui. É LINDA DEMAIS!

Inacreditável III

Mais uma da "única feira". Nesta barraca eu comprei a páprica que a dona Cecília pediu. Deve ser igual às que temos no Brasil, mas é típico por aqui, então... Aliás, nesta banca tem também fava de baunilha por 50 Koronys, ou quase 2 euros, portanto, cerca de 6 reais. É a fava mais barata que eu já vi na vida!

Inacreditável II



Mais umas fotinhos daquela que dizem ser a única feira de Praga. Continuo sem acreditar, mas não vi nenhuma outra ainda...

O menu tcheco




A sopinha aí em cima é deliciosa... vou ficar com saudades dela, tomei duas aqui em Praga. É um caldo forte, claro, como tudo aqui, com sabor bem acentuado de porco e uma gordurinha fundamental. No fundo, umas bolinhas de carne de porco com uma massa que não identifiquei, talvez batata. Aliás, o bolinho aí lembra o falafel (só lembra, porque não deve ter nada a ver). Uns pedacinhos de cenouras, couve-flor e ervilhas não podiam faltar, vê-se que eles gostam destes leguminhos em pequenos pedaços no meio de tudo.
Depois, coelho com espinafre. Não preciso nem dizer que tem sabor forte e blá blá blá. O molho é da própria carne, que parece ter sido frita em bastante tempero e depois cozida para amaciar. Mesmo assim, o coelhinho não amaciou muito, não. E o meu não gostava de correr, porque veio parar no meu prato cheio de gordurinhas (cá entre nós, ainda bem). O espinafre nada mais é que um creminho bobo e os famosos dumplings estão aí de novo para acompanhar o prato. Os mesmos de sempre, batata, pão e nada de sal. E eles são tão pesados, mas tão pesados que eu só comi um e meio desta vez. E das outras não passei de dois.
Para terminar, dessert, não podia faltar. Pedi o appfelstrudel da casa, e foi a melhor coisa que fiz. Pelo que andei lendo, esta torta não é muito típica aqui, eles preferem outras coisas. Mas sabem fazê-la muito bem, viu? Este aí, pelo menos, estava nota dez. Doce na medida, quentinho, massa macia... aprovado. Não sobrou nada deste pratinho.
E é isso, minha gente. Tá aí o menu tcheco para vocês admirarem. E é pesado, hein? Nossa senhora... Depois de uns dias comendo isso dá vontade de mandar ver um caldo de legumes, um peixinho leve, só comidinhas lights para recuperar. Mas vamos que vamos, seguindo viagem.

16.2.07

Pausa para apreciar a beleza de Praga


A banana do macaco (e da Rosinha)


A foto não está muito boa porque quando fui registrar esta sopa de batatas achei que o restaurante inteiro estava olhando para mim (eles não são como os franceses, que fingem que você não existe). Por isso nem conituei meu trabalho direito, tive um ataque de timidez. Enfim. A história é o seguinte: pedi um prato de porco, sobre o qual falarei a seguir, e o o garçom me perguntou se eu não queria, de entrada, uma sopa de batatas. Ah, meu senhor, o senhor não tem idéia do que acabou de fazer. Ofereceu banana para um macaco! (Só a Rosinha me entende...) É óbvio que eu quero SOPA DE BATATA! E veio a tal sopa, espessa, metiiiiida que só ela. Cheia de temperos, ervinhas, pimenta, verdurinhas como ervilha, cenourinhas picadas e... muita batata. Só faltou o azeite de oliva, ia cair bem à beça. Mas não tinha na mesa e me recusei a pedir para o garçom simpático porque achei melhor prová-la assim, como os tchecos gostam, no seu estado bruto. A sopa de batata é um prato típico da região, depois reparei que existe em todo lugar. Assim como a de alho, que ainda não provei, mas farei isso assim que possível. Depois eu conto. Aliás, você também gosta de alho, Rosinha?

Inacreditável

O meu guia de Praga diz que este é o último mercado aberto de frutas e verduras da cidade. Não acredito... não é possível. Em todo caso, amanhã vou perguntar para alguém. Só tem esta foto por enquanto porque, neste dia, nesta hora, caiu um pé d'água terrível e tive que me mandar. Ah, olha os tomates. São engraçadinhos. Têm o tamanho que fica entre aquele o normal e o cereja, acho que podemos chamar de um tomate médio. E são bem regulares, quase todos iguais. Fofo, né?

O salsichão da Rozane




Não era para ser, mas acabou virando uma homenagem à minha amiga Rozane, que morou em Praga e me confessou que era apaixonada pelos salsichões de rua da cidade. E não só ela, pelo jeito. As barracas fazem um sucesso danado. A moça não pára de enfiar salsinha no pão, uma atrás da outra. E pergunta, num inglês cheio de sotaque: "Cátchãp? Mástard? Ónión?" Aí o sujeito tem que ir respodendo, e rápido, porque ela não tá de brincadeira. E logo joga o pão imenso com um salsichão imenso na sua frente e manda qualquer coisa em tcheco que certamente quer dizer "Próximo!" E lá vai ela meter mais uma no pão. Antes, claro, o sujeito precisa escolher. Há oito varidades de salsichas, com a devida inscrição na tabuleta, em tcheco, inglês e alemão. Não ajuda muito.


Tracei a mais incompreensível delas, exatamente por isso. Dizia "Wenceslas dfjsfkjrfj", em tcheco. E em inglês, embaixo: "Wenceslau sausage". Ou seja, salsicha Wenceslau. Ah, não diga. Vai essa mesmo, please. Paguei os míseros 40 Koronys - 1 euro e uns quebrados. A moça quase arrancou da minha mão a moedinha que eu buscava no meio das outras: "This one is fifty". Toma aqui dez de troco e sai da minha frente, querida. "Próximo!"


Salsichão gigante, com bastante mostarda e cebola, saboroso e tal. Já tinha comido desses na Alemanha. Fiquei satisfeita quase uma tarde inteira, e joguei fora uns pedaços de pão, que é ainda maior que o recheio. Como diz minha avó, me regalei.
Ah, sim. Já ia me esquecendo. O copo na foto está cheio de vinho quente, ou hot wine, como eles dizem aqui para facilitar a vida dos turistas. É execelente. Melhor até que o salsichão, já que o mais importante, às vezes, é espantar o frio primeiro para depois comer. Para os paranaenses, é o nosso bom e velho quentão. (Mas para o outros, não. Quentão em São Paulo é uma cachaça quente com canela e tal. Naquelas bandas, isso aí é vinho quente mesmo)

15.2.07

O cachorro e o dono


É o seguinte, vê se faz sentido: não tem aquela história de que o cachorro se parece com o dono? Pois é. A comida também é a cara de quem come. Eu nunca tinha sequer visto um tcheco, assim, cara a cara, mas quando botei os pés aqui, pedi informação para um, falei rapidamente com outro e pensei, antes do almoço: estes caras são ruins, bicho. Ruim no sentido de osso duro de roer, uma gente brava, forte, valente. Imagine o estereótipo de um alemão. Agora emagreça o alemão alguns quilos, afine os traços dos rostos, abaixe um pouco (só um pouco) a estatura, mantenha a cor de pele e escureça os olhos. Ah, sim, coloque rugas. Os tchecos parecem estar sempre mal humorados, mas acho que eles são assim mesmo. A sensação que tenho é a de que guardam uma energia poderosa, pronta para estourar a qualquer momento. Uma espécie de energia no melhor estilo Jan Palach, que ateou fogo ao próprio corpo, em 1969, para protestar contra a ocupação soviética.


Enfim. O que a comida tem a ver com isso... Sentei num restaurante e examinei lentamente o carápio, em inglês, thanks, God. Só pratos poderosos, de sabores fortes: pato, porco, goulash, tudo com muita páprica picante, tomate, mostarda. O que quero dizer é que a comida que os tchecos adoram tem absolutamente tudo a ver com eles. A cena de um tcheco devorando um um pato, por exemplo, é extremamente harmoniosa. Ah, tem só uma coisa que não combina... já que nem tudo é perfeito. As porções nos restaurantes estão mais para francesas que para alemãs. Mas aposto que em casa eles gostam de fartura.


A foto aí em cima é do goulash. Para atender ao pedido de minha mãe (pedido de mãe, e ainda com saudades, tem que respeitar, né?), vou caçar uma receita de goulash amanhã por aqui, porque, segundo ela, "os do Brasil devem ser diferentes". Então, vai só a foto hoje. Este prato é para corajosos, de molho bastante espesso e carregado na páprica picante. Esta espécie de bolo que se vê aí em volta é feito de batatas. Pesaaaado... Mas necessário, porque é quase sem tempero e serve mesmo para equilibrar os sabores.

Praha




Cheguei. Chove que é uma desgraça. E Praga é muito mais bonita à noite.

14.2.07

Fui


Um pouco tímidas por pagar este micão, mas aí estamos nós. La baguette et moi, e seremos felizes para sempre, ainda que a distância atrapalhe um pouco. Esta foi só uma despedida número dois. Sabe quando a gente dá tchau, bate a porta e volta segundos depois para mais um beijo? Mas aí fica mesmo tarde e a separação é inevitavel. Agora vai. Tchau, cidade linda! Fui.

Snif!



Tchau, cidade linda. Um beijo.

Comida da Cleusa



Estou indo embora de Paris (buááá) e sigo viagem rumo à Praga, sem ter a menor noção do que seja a cozinha tcheca. Deixo aqui meus eternos agradecimentos à minha prima Cleusa, que me hospedou cheia de cuidados e gentilezas. "Eu não sei cozinhar nada!", gritava a Cleusa pela casa todo santo dia. "A Tauany cozinha melhor que eu!", referindo-se à filha linda de 11 anos. Ai, Cleusa, me poupe, eu tinha que repetir diariamente. Além dos queijos, pães e vinhos que devoramos juntas, mnha prima do coração me presenteou com massas de molhos variados, saladas, tortas, bolos. Tudo gostoso, com aquele sabor de comida feita por quem faz tudo para agradar os amigos. Desculpa, tá? Eu sou sortuda mesmo.