19.2.08

Ai, Comandante!

O que será que ele gosta de comer, alguém faz idéia? Em Cuba, comi 'Moros y Cristianos' até não poder mais, uma espécie de baião de dois, arroz com feijão, tudo misturadinho... Vou procurar uma receita para homenagear Fidel.

Bueno, adiós, comandante. E que tudo continue às mil maravilhas na sua MaravIlha.

10.2.08

Pão de queijo e broa de milho, receitas

Aqui estão as receitas do delicioso pãozim de quêjo e da broa de mi que Fabiana fez para mim ôtro dia (as fotos estão no post abaixo, óia que lindo!). Foi só dizê que minêro é enrolado e a moça rapidim me mandou... num pódi falá mal dos minêro, não!

Broa de mi
1 copo de óleo
1 copo de leite
1 copo de água
3/4 copo de fubá
1/4 copo de polvilho
1 copo de farinha de trigo
1/2 copo de açúcar
6 ovos
canela em pó a gosto

Numa panela grande, junte o leite, o óleo e a água. Leve ao fogo médio. Misture os outros ingredientes (fubá, farinha, açúcar, polvilho) em outro recipiente e conserve. Quando a mistura da panela começar a ferver, adicione aos poucos o restante dos ingredientes, mexendo sempre para não empelotar. Deixe cozinhar por 7 minutos ou até que comece a desgrudar do fundo da panela. Por último, adicione a canela. Em seguida, retire do fogo, espere esfriar um pouco e acrescente os ovos, um a um. Verifique o ponto da massa a cada adição de ovo. Ela deve ficar brilhante, lisa e mole. Talvez seja necessário colocar ovos a mais ou a menos. Enrole as bolinhas e passe no fubá. Leve a assadeira com as broinhas ao forno pré-aquecido para assar por, aproximadamente, 30 minutos ou até que elas fiquem levemente douradas.

Pão quêjo
1 copo de óleo
1 copo de água
1 colher de sal
3 copos de polvilho
1 copo de queijo ralado
5 ovos

Coloque o polvilho e o sal num recipiente grande. Numa panela, junte a água e o óleo. Leve ao fogo médio. Quando ferver, desligue. Adicione a água e o óleo fervidos ao polvilho. Misture bem e deixe esfriar um pouquinho. Acrescente os ovos e misture com as mãos até a massa ficar completamente homogênea. Adicione o queijo ralado e misture mais um pouco. Faça bolinhas com a massa e disponha sobre a assadeira, deixando um espaço entre elas para não grudarem. Leve ao forno pré-aquecido por aproximadamente 35 minutos.

8.2.08

Pãozim de quêjo e broa di mi



Fabiana, a amiga mais mineira que eu tenho, dia desses me chamou prum café da manhã com pãozim de quêjo e brôa de mi que ela tinha preparado com a receita da mãe, minêra dimais tumém, igualzim qui nem ela. Fui correndo, né, sô? Tinha di butá as foto aqui rápido, mas ainda tô esperando as receitas. Us minêro cozinha bem, mas é inrolado dimais, sô!

24.1.08

Viva a batata!


Eu sabia que um dia nossa querida batata receberia o reconhecimento que merece (hehehe), embora todo reconhecimento seja pouco... A batata foi escolhida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação o alimento do ano de 2008, na tentativa de chamar a atenção da população mundial para a sua importância na agricultura e segurança alimentar. Leia mais aqui: http://www.potato2008.org
E viva a batata!

18.1.08

Tarte tatin na Île de St. Louis

Minha amiga Marcelle Justo registrou, em Paris (que chato), esta tarte tatin com cafezinho. Se alguém tiver uma receita desta maravilha, aceito de bom grado a colaboração. Marcelle diz que traçou a belezura numa casa de crepes na Île de St. Louis: "É meu doce predileto por aquelas bandas". Quem pode, pode.

4.1.08

Lulas em Madrid



Eba! A-do-ro as colaborações dos amigos. Olha que delícia esta tapa de lula com salada, que o Daniel Kaz e a simpática Cati mandaram especialmente para nós, direto de Madrid. A outra foto é o balcão cheeeeio de tapas. Amo estes pratinhos. Em Barcelona, comi muito as papas bravas, aquelas batatas bolinhas super calientes, cheias de pimenta, parecidas com as que no Rio chamamos de batatinha calabresa. Sobre as lulas: "Ines, se você quiser pôr no Anastácia pode dizer que comi num bar de tapas chamado Antonio's, no bairro madrilenho de Moratalaz. Depois tiro foto de um bar mais tradicional". Pô, Dani, claro que eu quero pôr no Anastácia, e claro que eu já estou esperando mais colaborações de vocês!

2.1.08

Feliz Ano Novo!

Uma caipirinha para bindar o Ano Novo!
Anastácia deseja sinceramente que, em 2008, não falte comida na mesa dos brasileiros, sem demagogia! E aos que podem escolher o que botar no prato, recomenda: experimentem, provem, arrisquem! Na minha lista de intragáveis nacionais (da qual até o jiló já fez parte, iguaria que hoje aprecio como poucas) só constam agora a dobradinha e a buchada de bode, mas este ano estou disposta a reverter o quadro! E tome sal de fruta para qualquer eventualidade...

Gostaria de uma mesa imensa para comemorar 2008 com os que foram amigos, leitores, parceiros, incentivadores, colaboradores, apoiadores e tudo mais deste Anastácia na feira, que completará um ano em 14 de janeiro e só tem me dado alegrias. Como será impossível oferecer uma caipirinha a cada um dos que eu gostaria, escrevo os nomes de alguns aqui embaixo, como forma de homenageá-los. Se esqueci de alguém, por favor, mil perdões. A cabeça ainda vive resquícios das comemorações de final de ano...

Felipe Pasqualini, Josi Basso, Bel Garçoni, Ramiro Alves, Juliana Vilas, Eduardo Marini, Chico Silva, Cristiana Vieira, Elvira, Cleusa Coelho, Claudia Carvalho, Juliana Rocha, Mari Filgueiras e Rosinha, Carol Zappa, Carlos Braga, Paloma Cotes, Fernando Morais, Ricardo Linhares, Marina e Chico Caruso, Rodrigo He-Man, Tiça Magalhães, Daniel Kaz, Alexandre Werneck, Leandro Valverdes, Cyro Viegas, as mineiras Fabiana Gonçalves, Josie Jeronimo e Lívia, Dolores Orosco, Reinaldo Morais, Fe Thedim, Rozane Monteiro, Cecília Garçoni, Haroldo e Marinês Rocha, Marcelo Gazzaneo, Alexandre Arruda e Marcelle Justo, Octacílio Freire, Telma Sanchez, Flávio 'Vitcho'e as pequenas Helena e Isadora.

Obrigada, gente boa! E Feliz 2008!

15.12.07

Arroz de pato


Acho que este é o mais famoso arroz de pato do eixo Rio-São Paulo, servido no Antiquarius (das duas cidades) e nos seus filhotes Da Silva, o "quilo chique" da casa. Procurei na Internet pela receita original, mas nada de encontrar. No canal UOL Estilo, achei uma receita que parece bastante com o prato do restaurante português (mas aviso que não testei, hein?):

Ingredientes (para 8 pessoas)
- 1 pato de 1,5 kg
- 1 cebola picada
- 1 maço pequeno de salsinha picada
- 2 cabeças de alho
- 1 tablete de caldo de carne
- 1 pitada de molho inglês
- sal
- 400 g de arroz
- 50 g de azeitonas verdes sem caroço
- 300 g de linguiça portuguesa em rodelas

Modo de preparo
Cozinhe o pato inteiro em uma panela, em fogo baixo, com a cebola, a salsa, o alho, o caldo de carne, o molho inglês e o sal por cerca de uma hora ou até ficar macio. Retire do fogo, coe o caldo e reserve. Corte o pato em pedaços pequenos. Prepare o arroz com o caldo reservado (se necessário acrescente mais água). Para servir, coloque o arroz em uma travessa, distribua o pato e as azeitonas. Enfeite com as linguiças.

E para comer o verdadeiro e delicioso arroz de pato do Antiquarius, vá até lá:
Em São Paulo, na Alameda Lorena, 1884. No Rio, na Aristides Espínola, 19. Nos dois, prepare-se para gastar bem (mais de R$ 100,00 por pessoa?). Ou faça como eu e conheça o Da Silva, na avenida Graça Aranha, 187, no Centro carioca. No "quilo chique", o mesmíssimo prato, feito com os mesmíssimos ingredientes (pelo menos é o que garante o Antiquarius) onera menos seu bolso. Vale cada centavo.

13.12.07

Sushi with your hands

Taí uma coisa sobre a qual nunca falei no blog: comida japonesa. É incrível, porque eu a-mo as iguarias japinhas. Mas ontem li uma matéria engraçada no jornal O Globo e resolvi comentar aqui. Ainda estou estupefata com uma informação, o que só revela minha completa ignorância em assuntos culinários-nipônicos: sushi não foi feito para ser comido com pauzinho. Mas só o sushi, aquele tem o arroz embaixo e o peixe cru em cima (aliás, dizia lá também que o shoyu é só para o peixe. Nada de encharcar o arroz de molho de soja). Vivendo e aprendendo. Ou seja, o hashi deve ficar em repouso na mesa enquanto você devora um prato como este da foto (com o qual me atraquei há umas duas semanas) com as mãos. Simples assim.

E meu amigo Claret, sobre o qual falei aí embaixo há alguns dias, me contou uma história boa. No Japão, a trabalho, Claret sentou numa espécie de quiosque, onde os sushis vão passando numa esteira ao redor da mesa - coisa que o Brasil copiou há tempos. O velho sushiman, quando viu a atrocidade que o moço estava prestes a cometer - comer com pauzinhos - deu-lhe um tapa na mão: "It's better with your hands", mandou o sábio japonês.

Mil desculpas com bolinho de bacalhau

Pessoal, peço desculpas pela demora em atualizar o blog. O trabalho está consumindo (como na a música de Geraldo Pereira, alguns já dizem "você tá ficando acabada, xiii, você tá sumindo..."). Mas o fato é que ninguém deixa de comer, e está missão, para a qual vim ao mundo, tenho cumprido muito bem. Portanto, muitas fotos, muitas idéias, só me falta tempo para escrever. Enquanto isso, regalo meus três leitores assíduos com uma porção de bolinho de bacalhau acompanhado de um vinho verde - porque, pelo que já percebi, dois deles moram em Portugal. Vão se divertindo e prometo que as coisas vão melhorar até o fim do ano. Só não me abandonem!

29.11.07

Ô, Claret!

Venho há muito adiando escrever sobre Eduardo Marini (no Jobi, já sem foco). Porque a tarefa não é coisa fácil. Penso em escrever algo que esteja à altura do que ele merece ler. Algo que chegue perto, resvale, se aproxime um pouco que seja, pelo menos uma linha de um livro que um dia ele virá a escrever. Não há nada que meu amigo Claret (este é só para os íntimos) faça que eu não ache graça. Eu me rendo. Ao seu Mengão, seu Benfica e seu Feijão. Nunca houve.

19.11.07

Massa de sapateira




Se eu pudesse, pagaria um salário para Felipe e Josi trabalharem para o Anastácia! As colaborações não páram e são sempre sensacionais. Desta vez, preparam uma "massa de sapateira", um bichão maravilhoso, lindo, pronto para ser devorado. E melhor: em Zimbros, a praia de Santa Catarina que meu casal de amigos transformou num laboratório de experiências culinárias, com o mar em frente, barquinhos... A vida é bela mesmo... Aí vai a íntegra da receita, com recadinho do Felipones. Mais uma vez, super, super obrigada, babies.
“Os ingredientes de Zimbros novamente nos inspiram, proporcionando momentos gastronômicos inigualáveis. Bom, Josi e Felipones colocam a mão na massa, agora numa receita com este bicho, pré-histórico, mas de sabor sem igual.

MASSA DE SAPATEIRA
(receita para duas pessoas)

INGREDIENTES
· 300 gramas de massa, fetuccine, grano duro;
· 2 sapateiras de, em média, 200 gramas cada;
· 200 gramas de bacon, magro, em cubos bem pequenos;
· 8 talos de aspargos frescos;
· 1 ramo de salsa picada;
· 2 colheres de azeite de oliva extravirgem;
· 50 gramas de manteiga;
· 3 col de sopa de creme de leite fresco;
· 1 cebola picada;
· 1 cebola cortada ao meio;
· 1 talo de salsão;
· 1 talo de alho poró;

MODO DE PREPARO

Pré-preparo da sapateira
· Depois de bem lavada, coza a sapateira em água com sal, pimenta do reino, salsão, alho poró e cebola ao meio;
· Cozinhá-las por 40 minutos;
· Retire-lhe as patas e as pinças. Abra a sapateira, extraia o miolo e reserve. Parta as patas e as pinças, extraia todo o conteúdo e junte ao miolo. Retirá-las da água e deixar esfriar.
· Abri-las na dobra entre corpo e cabeça, sem quebrar, para preservar a carne inteira.
· Reservá-las

Aspargos
· Limpar os talos, eliminado as pontas fibrosas;
· Aquecer 1litro de água;
· Cozinhá-los por 5 minutos;
· Tirar da água e reservar o líquido para cozinhar a massa;
· Picar 4 talos em pedaços de 4 centímetros;
· Reservar os talos picados e os inteiros, que vão decorar prato.

Preparo do molho
· Aquecer, em uma frigideira de fundo grosso, 1 colher de azeite de oliva e, em fogo bem baixo, dourar cubos de bacon;
· Colocar cubos de cebola e dourá-los;
· Acrescentar a carne da sapateira, em fogo baixo, e deixar caramelizar (cerca de 10 mintuos).
· Desligar e reservar.

Finalização
· Cozinhar a massa ao dente na água em que foi cozido o aspargo, no máximo por 10 minutos. Dois minutos antes, ligar a panela com sapateiras, acrescentar aspargos, manteiga e a massa direto da panela onde foi cozida.
· Desligar o fogo, colocar creme de leite, mexer rapidamente e servir em pratos individuais;
· Polvilhar salsa cortada grosseiramente e decorar cada prato com os aspargos inteiros.
· Derramar fio de azeite e servir.

Bom apetite.”

12.11.07

Pastel de nata do Parrô

Pastel de nata do Parrô do Valentim, Itaipava, Rio.
Hummm... delícia.

Casas Pedro





Não há lugar no mundo como as Casas Pedro. São centenas e centenas de artigos para culinária. Um verdadeiro paraíso. Mais de 80 temperos diferentes, azeites, cereais, doces, conservas, frutas secas, importados de todos os tipos. Além de tudo isso, as esfihas são deliciosas. Massa fininha, recheio na medida, saborosinha. As Casas Pedro existem há 70 anos na 'Cidade' - como carioca chama o Centro da... cidade.

5.11.07

Bar Luiz



"O Bar Luiz é um dos mais tradicionais e antigos bares em funcionamento ininterrupto no Brasil. Foi fundado em 3 de janeiro de 1887 e está localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro." Está lá no Wikipédia. O Bar Luiz existe há 120 anos. E serve comida alemã - tem uma salada de batatas que não chega a ser melhor que a do Bar Lagoa, mas é gostosa. Salsichões, um chope sensacional (há quem diga que é o melhor da cidade), rosbife. No carnaval, é um animadíssimo ponto de encontro (já cantei marchinhas em cima de uma daquelas mesas).

http://www.barluiz.com.br/

Restaurante Damasco





Demorei, mas voltei! Estou com dezenas de novidades na gaveta, vou soltando aos poucos... Primeiro, vamos ao sensacional kafta do Restaurante Damasco, imperdível, do Centro do Rio. O frango ao molho de alho também não fica para trás, mas quando o assunto é frango ainda prefiro (preferimos, eu e meus companheiros de garfo, Chico e Claret) o galetinho ao molho de limão do Sat's (em Copacabana, ao lado do Cervantes). Fomos ao Damasco com uma fome de dar dó, esperando ansiosamente para provar o babaganush (a pasta de berinjela), que a Danúsia Bárabara, crítica gastronômica do Rio que a gente respeita muito, jurou ser um dos melhores da cidade. Na mosca. A berinjela tem aquele gostinho de defumada, hum... delícia. Arroz com lentilha, kafta no ponto, tudo delicioso.

Restaurante Damasco
Rua do Rosário, 148, Centro do Rio
(21) 2252-7920

22.10.07

Barreado da Pachorra (e do Cyro)





Entrei na sala de meu escritório temporário para ser apresentada aos novos colegas de "redação". Reconheci um sujeito sentado e já fui mandando aquele "Eu conheço você de algum lugar...". Ah, foi rapidinho para a gente descobrir: a velha e boa Curitiba, onde passei bons e deliciosos anos da minha vida, surgiu na conversa. Depois algumas cervejas, Providências (aquela que se toma no boteco), confissões trocadas e eis que aquele sujeito simpático até demais para um curitibano (nascido em São Paulo, como eu, mas curitibano) virou meu "amigo de infância". No último domingo, o malandro levou o último pedaço do meu coração e ganhou meu apreço de vez: preparou um Barreado, assim mesmo, com letra maiúscula, a comida típica do litoral paranaense. Sensacional. Quem provou, amou. O Cyro - Cyrose para os íntimos e não pergunte de onde vem o apelido porque ele vai conseguir te provar que vodca vai bem com qualquer coisa - tem talento com as panelas. O meu barreado ele não vai provar. Primeiro, porque estou com vergonha do pobrezinho, e segundo, porque dá uma preguiça só de pensar em encarar a cozinha para isso... Como bem disse nosso cozinheiro no texto-receita que segue aí embaixo (uma das mais preciosas colaborações que este blog já teve), é preciso pachorra.
O que está em itálico é meu.

"Barreado com pachorra

Há várias formas de se fazer o barreado, prato tradicional do litoral paranaense. O cozinheiro sempre pode dar seu toque pessoal no preparo do rango. Eu sigo a receita da (minha) tia Raquel, que há mais de 20 anos pilota panelas de barro com maestria. Dela, além do interesse pelo fogão, herdei a paciência necessária para conduzir longos processos culinários. Então lá vai:

Ingredientes (para seis mortos de fome, segundo a tia)
· Um quilo de músculo e um de acém, cortados em cubo;
· 200 gramas de bacon magro picado (magro mesmo, sem gordura e sem o couro);
· 2 cebolas médias,
· 1 pimentão verde, pequeno;
· 1 maço gande de cheiro verde, sem coentro!;
· 1 ou 2 colheres de cominho puro, moído (cuidado, o excesso deste tempero “afoga” o prato);
· 2 colheres de sal, inicialmente. No decorrer do cozimento pode-se pôr mais;
· 1 pimenta vermelha dedo de moça, sem semente. Na falta dela, vai uma malagueta, não será heresia;
· 3 a 4 folhas de louro e 2 colheres de chá de pimenta do reino.

Mexe um pouquinho, cozinha um pouquinho
Pique todas as verduras e forre o fundo da panela com elas. Acomode as carnes e o bacon por cima e polvilhe os demais temperos. Não se preocupe com misturas que a coisa vai longe. Cubra com água até o nível da carne.
Reza a tradição e as lendas que o cozimento do barreado deve ser feito em panela de barro, cuja tampa é lacrada com uma goma à base de araruta, dentro de um buraco com brasas. É que no século 19 não havia panela de pressão em Morretes, Antonina e adjacências (cidades do litoral do Paraná, onde o prato nasceu). Qualquer fogão básico e aquela sua velha panela de cozinhar feijão dão conta do recado com muita honestidade.
Cozinhe na pressão entre 40 minutos e uma hora, em fogo baixo. Abra a panela, mexa a carne e reponha a água, se estiver faltando. Repita este procedimento até que a carne fique totalmente desfiada. Em geral, isso acontece de três a cinco vezes, em um intervalo de uma hora para cada “abre” de tampa.
Após a primeira fervida na pressão coloque uma chapinha de amianto sob a panela. Se não tiver, use a forma de pizza, o efeito é o mesmo. Use uma colher de pau pesada ou um soquete de feijão para acelerar o desmanche da carne, que aos poucos se mistura ao molho. Esta alquimia produz o barreado e justifica as horas gastas na frente do fogão.
Cheiro de matar a clientela
Nessas alturas do campeonato o cheiro do grude já estará matando a platéia presente ao convescote. Deixe o pessoal ainda mais esfomeado, sirva uma cachaça de boa qualidade. Comida de litoral sem a “marvada” não tem graça.
Enquanto a turma beberica, deixe o barreado cozinhar com a panela aberta por mais uma meia hora pra apurar o caldo. Acerte o sal e pronto!

Sirva com...
Banana da terra cozida com um pouco de açúcar. A tia orienta comprar as de casca bem preta, com cara de podre. Essas é que são boas. (Banana prata in natura também vai muito bem) Um arroz temperado com alho e cebola e uma boa farinha de mandioca branca completam a arquitetura do prato. Pimenta a gosto.
Diz um ditado “parnanguara” (ou seja, nascido em Paranaguá) que “quando o barreado fica bão, ocê morre de cumê, mas quando ele fica ruim, ocê morre de desgosto”. É isso aí. Se você teve a pachorra de chegar até aqui é porque tem talento pra coisa."

8.10.07

Ricardo Linhares e seu Dry Martini (sem veneno, claro)

Com toda a criatividade que só alguém com o nome de Dolores pode ter, minha amiga me deu a idéia de entrevistar Ricardo Linhares para o Anastácia. Simplesmente, apenas o autor de Paraíso Tropical, com Gilberto Braga. A novela teve três chefs de cozinha como personagens e dois restaurantes em Copacabana, o nariz empinado do hotel Duvivier e o brasileiríssimo Frigideira Carioca. A contraposição entre as comidas "boa e honesta" e "modernosa" apareceu várias vezes ao longo da novela. E os autores claramente elogiavam a primeira e criticavam a segunda. Eis então que faço minhas perguntinhas "simples e despretensiosas". Pleno final da novela, mandei um email. Elegante como eu já imaginava, Ricardo respondeu, apenas poucos dias depois de revelar quem matou Taís (o Bope, dizem por aí). Gente finíssima. Obrigada, Ricardo.
(A foto é do restaurante L'Atelier, de Joel Rebuchon, em Nova York)

"Oi, Inês.

Td ótimo, obrigado. Desculpe a demora em responder. Com o final da novela, foi uma loucura. Agora é que estou conseguindo botar a vida em dia.

Respondo abaixo, bjs, Ricardo

1. O que você pediria no Frigideira Carioca?
Resposta: O clássico escondidinho de carne seca e aipim. Eu adoro esse prato e introduzi no cardápio do Frigideira.
2. O melhor restaurante que você já comeu na vida
Restaurante: L'Atelier, de Joel Robuchon. Em Paris e em Nova York.
3. Um prato inesquecível
Resposta: Todo o menu do El Bulli, do Ferran Adriá, é inesquecível. Experiência única na vida.
4. A melhor bebida para comemorar o fim de uma novela
Resposta: Dry Martini, mas sem veneno...
5. O que é uma "comida honesta"?
Resposta: Simples, consistente, sem pretensão. E saborosa, claro.
6. O que é intragável para você?
Resposta: Culinária modernosa, serviço pretensioso, comida ruim."

Os clássicos





E tome estrogonofe do Bar Lagoa, bife a rolê da Chupetinha, peixe ao molho de camarão com arroz de brócolis e batatas do Sindicato do Chopp, polvo à espanhola da Tasca do Edgar. Na Lagoa, em Vigário Geral, em Copacabana e em Laranjeiras, respectivamente. Como diz o Claret, "nunca houve". Dono destas informações, conclua (e coma) o que bem entender.