Pastel de nata do Parrô do Valentim, Itaipava, Rio.Hummm... delícia.






"O Bar Luiz é um dos mais tradicionais e antigos bares em funcionamento ininterrupto no Brasil. Foi fundado em 3 de janeiro de 1887 e está localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro." Está lá no Wikipédia. O Bar Luiz existe há 120 anos. E serve comida alemã - tem uma salada de batatas que não chega a ser melhor que a do Bar Lagoa, mas é gostosa. Salsichões, um chope sensacional (há quem diga que é o melhor da cidade), rosbife. No carnaval, é um animadíssimo ponto de encontro (já cantei marchinhas em cima de uma daquelas mesas).







Entrei na sala de meu escritório temporário para ser apresentada aos novos colegas de "redação". Reconheci um sujeito sentado e já fui mandando aquele "Eu conheço você de algum lugar...". Ah, foi rapidinho para a gente descobrir: a velha e boa Curitiba, onde passei bons e deliciosos anos da minha vida, surgiu na conversa. Depois algumas cervejas, Providências (aquela que se toma no boteco), confissões trocadas e eis que aquele sujeito simpático até demais para um curitibano (nascido em São Paulo, como eu, mas curitibano) virou meu "amigo de infância". No último domingo, o malandro levou o último pedaço do meu coração e ganhou meu apreço de vez: preparou um Barreado, assim mesmo, com letra maiúscula, a comida típica do litoral paranaense. Sensacional. Quem provou, amou. O Cyro - Cyrose para os íntimos e não pergunte de onde vem o apelido porque ele vai conseguir te provar que vodca vai bem com qualquer coisa - tem talento com as panelas. O meu barreado ele não vai provar. Primeiro, porque estou com vergonha do pobrezinho, e segundo, porque dá uma preguiça só de pensar em encarar a cozinha para isso... Como bem disse nosso cozinheiro no texto-receita que segue aí embaixo (uma das mais preciosas colaborações que este blog já teve), é preciso pachorra.
Com toda a criatividade que só alguém com o nome de Dolores pode ter, minha amiga me deu a idéia de entrevistar Ricardo Linhares para o Anastácia. Simplesmente, apenas o autor de Paraíso Tropical, com Gilberto Braga. A novela teve três chefs de cozinha como personagens e dois restaurantes em Copacabana, o nariz empinado do hotel Duvivier e o brasileiríssimo Frigideira Carioca. A contraposição entre as comidas "boa e honesta" e "modernosa" apareceu várias vezes ao longo da novela. E os autores claramente elogiavam a primeira e criticavam a segunda. Eis então que faço minhas perguntinhas "simples e despretensiosas". Pleno final da novela, mandei um email. Elegante como eu já imaginava, Ricardo respondeu, apenas poucos dias depois de revelar quem matou Taís (o Bope, dizem por aí). Gente finíssima. Obrigada, Ricardo. 




Plena madrugada, Chico Caruso no Sindicato do Chopp de Ipanema. Boteco fechando, cadeiras em cima da mesa e ele sentado na janela, filosofando sobre qualquer coisa que não me lembro. O homem ao lado chegou gritando "Chico! Sou seu fã". E minutos depois estavam os dois, ídolo e fã, cantando músicas de Nat King Cole, Frank Sinatra e mais não me lembro - o álcool, o álcool... O sujeito cantava num 'embromation' perfeito e, melhor, imitando as vozes dos cantores, com o auxílio luxuoso de Chico. Cenas de botequim -aliás, acho que estas historinhas valem outra série... Enquanto não faço, fique com mais um capítulo das entrevistinhas, agora, com mestre Chico, que gentilmente falou ao Anastácia, por email.
Qual é o melhor prato para desenhar?


A Cadeg, Companhia de Abastecimento do Estado da Guanabara, como o próprio nome sugere, é um mercadão gigantesco, com centenas de lojas. Imagino que, de madrugada, aquilo seja uma loucura. Caminhões entrando e saindo, feirantes e supermercados se abastecendo, gente gritando, andando para cima e para baixo. Mas fui conhecer a Cadeg no sábado à tarde, quando as lojas estão fechadas e rola uma tradicional festa portuguesa, ao ar livre. É sensacional. Os mais frescos devem achar que a Cadeg não está instalada num lugar muito aprazível (em Benfica, na Zona Norte, perto do pavilhão de São Cristóvão e de um monte de favelas). Mas isso não importa. A única coisa que interessa é ver portugueses exilados no Rio (todos vascaínos, claro) dançando músicas típicas a tarde toda, comer sardinha e bacalhau na brasa a preços baixíssimos, tomar cerveja de garrafa na mesa de plástico e ainda sair de lá com sacolinhas cheias de embutidos da terrinha. Dá uma olhada no bacalhau e na sardinha. Humm... delícia.
Tiça Magalhães tem a vida que muita gente pediu a Deus. A moça já conheceu mais de 40 países, trabalhou em hotéis e restaurantes no Havaí, lavou barcos na Califórnia, desbravou o Japão, a Polinésia e as Ilhas Fiji atrás de novidades gastronômicas, esteve na África, e no México. Hoje é 'personal cook' (você vai saber o que é isso) e lança livros de receitas práticas que fazem o maior sucesso.



Eu namorava o Peixe Vivo havia um tempão. Passava em frente de vez em quando, sempre pensando que poderia ser mais um bom restaurante de CCC - já falei sobre a Comida Carioca de Combate? Como diz um amigo, é a melhor herança que nossos patrícios deixaram no Rio: comida boa, farta e barata. Enfim, resolvi conhecer o tal Peixe Vivo. De fato, bom restaurante de CCC, mas embora a foto sugira um delicioso "Vatapá baiano" (que estava mais para caldeirada de frutos do mar), não é bem assim. Os ingredientes não eram de primeira (o que, no caso de frutos do mar, dá até um certo medo) e o prato não estava saboroso. Comi tudo? Sim, claro. Não estava intragável, mas me senti enganada. Cadê o sabor destes frutos do mar que estão no meu prato?! O garçom esbanjava simpatia, o lugar é agradável - uma espécie de varandão envidraçado acima do nível da calçada, na Toneleros, uma rua bonita e arborizada de Copacabana -, mas a comida, definitivamente, não convenceu. Enquanto traçava meus frutos do mar, fiquei de olho no "bichinho" que o garçom foi mostrar para meus vizinhos... será que eles conseguiriam estragar aquela maravilha? O vatapá grande sai por R$ 62,00 e alimenta muito bem de três a quatro pessoas.
O diretor Fernando Meirelles, em seu blog sensacional onde vem descrevendo a realização de seu novo filme, "Ensaio sobre a cegueira", registrou, num texto super legal, o encontro que teve com José Saramago num restaurante em Lisboa. Vale a pena:



Descobri sem querer este pedacinho da França em Copacabana, este fim de semana. O lugar se chama Traiteurs de France e, na frente, é uma boulangerie, com pães, doces e bolos maravilhosos. As mesinhas são assim, ó, com desenhos da Torre Eiffel e outras atrações turísticas da segunda cidade mais linda do mundo - já falei várias vezes que o Rio é a campeã, né? O bolo da foto é de laranja, molhadíssimo, delicioso. Atrás fica o restaurante de culinária francesa, óbvio, mas (ainda) não posso falar sobre ele. O que andei lendo é que serve boa comida a preços mais acessíveis que a maioria dos franceses do Rio. Voltarei, voltarei.
Promessa é dívida: a reportagem que fiz com e sobre Rogério Fasano, o dono de alguns dos melhores restaurentes do país, está aqui (ou um pedação dela. Para ler até o final, só comprando na banca, mas o tem aqui dá para satisfazer...): www.revistabrasileiros.com.br, clique na segunda edição.
Como paulistana radicada no Rio, já cansei de discutir em mesa de bar: é vinagrete ou molho à campanha? O molho é idêntico, receitas iguais. Se pedir "molho à campanha" em São Paulo, creio eu que poucos garçons entenderão que se trata do bom e velho vinagrete. Procurei, mas não achei nada sobre a origem no nome "à campanha" (sim, porque vinagrete é óbvio, né?). Acho que os cariocas herdaram dos gaúchos, churrasqueiros de mão cheia que não dispensam um molhinho destes na hora da carne. O povo do Sul também já empreendeu algumas campanhas (militares) e possui grandes campanhas (planícies). Sei que é muito simples, mas vou botar uma receitinha mesmo assim. Sem medidas, porque cada um acha seu ponto, ok? Vinagrete: tomate (sem semente), pimentão, cebola, salsinha. Tudo bem picadinho. Misture com azeite, vinagre, sal e pimenta do reino. Pronto. Agora despeje sobre a carne. Hummm... delícia.

Pimentas, manteiga de garrafa e doces da Feira de São Cristóvão, o lugar mais animado desta cidade e terra de incontáveis Severinos (minha amiga Mariana tentou, mas não descobriu quantos são). Tudo coisa boa. Mas a pimentinha, como se costuma dizer, é para "baiano treinado". Oxente, cruzes! Já a manteiga de garrafa, que vai à mesa, funciona bem demais em cima de um apim cozido, daqueles bem molinhos, derretidos. E os docinhos são para alegrar a gente, que nada melhor que uma bela colherada de doce de leite ou um pãozinho com geléia. Hummm... delícia.
Churros! Eu a-mo. Estes foram traçados rapidamente no antigo e lindo Café de L'Opera, em Barcelona. É assim: pega a massa, molha neste chocolate espesso (dá para beber também, mas serve mesmo para embebedar os churros) e come, quentinho. Humm... delícia. (É a segunda vez que coloco esta foto aqui, tá? Mas recordar é viver...). Encontrei em um site a receita que, dizem, é de Benjamin Abraão, o dono da - olha ela aí de novo - "Barcelona" (sem sombra de dúvida, uma das melhores padarias de São Paulo, no Pacaembu). Lá comi uma inesquecível coxinha, há muitos anos, a mais maravilhosa da minha vida. Bom, aos churros: esta receita não tem nada a ver com os que comi em Barcelona (a cidade, não a padaria). Trata-se daqueles churros bem populares no Brasil, à venda nas máquinas de rua: comprido, com um furo no meio e recheio cremoso de goiabada, chocolate ou doce de leite. Ah, nas ruas, o costume é passar a massa no açúcar depois de frita.