15.11.09

Londres, A Cidade





Com as minhas desculpas pela ausência durante este tempo, aí vão algumas imagens da incursão desta Anastácia por outras paragens, lá de cima, d'A Cidade, a capital do mundo globalizado, Londres. E como tal, não poderia deixar de ser: ela me ofereceu um festival de junkie food. É disso que gosta. Sausages, hamburgers, donuts, fish and chips. Diria que é quase impossível escapar. Mas seria uma injustiça sem tamanho dizer que Londres é só isso. De jeito nenhum. Para mim, foi uma experiência gastronômica surereendente e inesquecível. A começar pelo Bourough Market, talvez o mercado mais sensacional que já conheci. Mas isso é outro assunto...

1.11.09

Meus bolos de aniversário




Uma tarta de Santiago de Compostela e uma sobremesa com o nome singelo de bolo de bolacha. As duas no Porto, as duas em companhia da amiga Mari Filgueiras - nos encontramos mais uma vez, agora na terra dos "tripeiros" (são chamados assim porque são comedores de Tripas à Moda do Porto, olha que gracinha). Mari saiu de Santiago, onde faz o mestrado, para me encontrar. Levava a tarta Santiagüina debaixo do braço. Aliás, ela só podia ser amêndoas - Santiago é na Galícia, no Norte da Espanha, bem próxima ao Norte de Portugal. Um dia foram a mesma região, sofreram a dominação dos romanos, dos visigodos, dos árabes. Por fim, foram reconquistados pelos cristãos. Têm um passado em comum e, claro, cultura parecida. Por isso, não surpreende que a minha tarta de aniversário seja como os doces dos conventos portugueses - amêndoas, açúcar, farinha, ovos. Já o bolo de bolacha foi uma espécie de revival. Estive no restaurante Ora Viva há quatro anos, e nunca mais esqueci o sabor deste doce. Voltei, finalmente, e estava lá ela, gostosa como da última vez. Não me lembrava extamente as razões de ter gostado tanto. Continuo não sabendo exatamente, porque o bolo leva café, do qual não sou muito fã em doces. Vai ver é destas coisas que a gente não explica. Um parênteses um tanto quanto brega e óbvio, mas necessário: o lugar, a companhia, o estado de espírito, tudo ajuda a tornar um prato ótimo, ruim, mais ou menos. Dei sorte nas duas vezes em que estive no Ora Viva - aliás, ele merece um post único, farei isso.

Aniversário 2: Obrigada, Felipe e Josi, amigos queridos, pela homenagem. Mais um ano juntos (ainda que separados)... Gente, o blog deles é demais, coisa de quem entende MESMO de comida, não tá só de brincadeira, como eu (http://pastificio.blogspot.com/). E aqui vão lindas palavras frase do Leminski, orgulho curitibano, para celebrar nossa amizade:

Meus amigos quando me dão a mão
Sempre deixam outra coisa
Presença
Olhar
Lembrança
Calor
Meus amigos quando me dão a mão
Deixam na minha a sua mão

27.10.09

A tasquinha do Chico

Fofo, não? Não tem nome, é simples assim: "Almoços e jantares". Acho que meu amigo Chico Silva, se cá estivesse, sentaria ali, pediria uma bagaceira e passaria horas a divagar sobre a alma lusitana, os poetas, o fado, o bacalhau, e as sardinhas, e os tremoços, o Tejo, e o Mondego, a saudade... ah, sim, e o Santos, o Benfica, o Santos, o Sporting, e o Santos...

É grave a crise...


Que marolinha, o quê... a seção de culinária numa livraria da cidade do Porto mostra que o bicho pegou mesmo por aqui. Ah, mas nessa hora, a colega Filipa, que assina um dos livros aí em cima, não passou sufoco: a moça já nasceu bem acompanhada, pelo menos no sobrenome.

25.10.09

Sobre o podrão (do Porto), algumas considerações



Este cachorro-quente - para os cariocas, o popular "podrão", e para os curitibanos, o "dogão" ou ainda, quem sabe, simplesmente o "pão com vina"... enfim, o aposto desta vez foi tão grande que perdi o fio da meada. Vamos lá, de novo. Este cachorro-quente foi traçado numa praça da cidade do Porto, lá pelas tantas da madrugada, quase dia claro, em excelente companhia de uma grande amiga. Ou seja, exatamente como devem ser traçadas estas igua(porca)rias que só fazem bem à nossa alma, e depois podem nos custar o sono. A receita do podrão por aqui é inspirada nas nossas, leva batata palha, milho verde, estas coisas - mas este aí tinha ainda uma cenourinha, que é excelente ideia, já que bota lá umas vitaminas e dá uma crocância gostosa. Outra boa ideia que os podrões brasileiros podiam copiar: pendurar tetas gigantes como as da foto, cheias de maionese, catchup, mostarda para facilitar a vida do cliente. E para terminar, que fique bem claro: eu não acho que ninguém deva consumir estas merdas, por favor. Mas a salsicha sai do corpinho, mais cedo ou mais tarde e seja lá de que forma, como tudo mais que entra pela boca. Portanto, já que alimento também deve ser bom para o espírito e o coração, de vez em quando, desde que em determinadas condições (fome, madrugada, bons amigos, bagunça), um podrão bem traçado no meio da rua não faz mal nenhum.

20.10.09

Para Eduardo, o Pecado da Gula


Uma foto de presente para meu amigo Eduardo 'Claret' Marini, que é, ele sim, um verdadeiro doce, e escreveu sobre este blog e esta que vos fala palavras que nenhum dos dois jamais mereceram. Claret, para você, um delicioso pastel de nata - que, você bem sabe, no Brasil chamamos 'pastel de Belém', mas cá em Portugal só há um com este nome, aquele feito em Belém mesmo e sobre o qual já falamos aqui. Os outros todos, os 'de nata', são 'genéricos'. E para acompanhar, um trecho maravilhoso de um texto de D. Duarte, "Leal Conselheiro", extraído do livro "A arte de comer em Portugal na Idade Média", um clássico do professor Salvador Dias Arnaut (Colares Editora, Sintra, Portugal). Lá vai, prepare-se:
"Do Pecado da Gula
Sumariamente em quatro partes o pecado da gula se ode partir. Primeira, que hora razoada, conveniente ou ordenada para comer não quer aguardar. Segunda, que o ventre de comer ou beber deseja sobejamente encher. Terceira, que viandas e beberes estremados (sic) cobiça sempre usar. Quarta, que sobejamente com grande folgança e glória faz comer e beber para elo perceber e aparelhar. Da primeira nasce desobediência, e apartada conversação de boas pessoas, e isto por não guardar dias de jejuns, bons conselhos e costumes. Da segunda, luxúria e destemperança do entender, e do corpo muitas enfermidades. E para todo o bom saber muita rudeza. Da terceira vem aos religiosos não consentir que vivam na pobreza que prometeram, porque se trabalham de ter com que satisfaçam ao que desejam. E aos que riquezas podem possuir, faz ser pobres, mal as despendendo em custosas viandas e vinhos que bem escusar, se temperados fossem, poderiam. Da quarta vem fazer deus do seu ventre, não havendo tanto desejo continuado pensamento de prazer ao senhor como a ele, e aos gargantões convém não guardar hora conveniente, e sobrejo comer e beber."
Para ler Eduardo Marini, http://blogs.r7.com/eduardo-marini/

14.10.09

Pastelaria Vênus




Ai, quando me disseram que a melhor pastelaria da cidade ficava ao lado da minha nova casa... ainda não sei se é de fato a melhor de Coimbra, mas deve ser forte concorrente. Antes de mais nada, cabe avisar que pastelaria, em Portugal, é o que podemos chamar de padaria (embora nem todas vendam pão). O termo pastelaria aqui é usado no seu significado técnico gastronômico: trata-se do universo dos doces - e aqui também salgados, desde que pequenos, como os rissóis e pastéis (nossos risoles, bolinhos, etc.). Portanto, uma pastelaria portuguesa não é o lugar especializado na produção e venda de pastéis naquele formato clássico que conhecemos e tanto amamos no Brasil. Outra característica bastante comum das pastelarias por aqui é o fabrico próprio. Ah, sim, e os pequenos pastéis são vendidos frios (e eu não vejo o menor problema, já me acostumei). Mas voltemos à Vênus, pelamordediós, que este parênstesis ficou grande demais, ufa.
Na foto, um pastelzinho de bacalhau (milagrosamente quente - acho que dei sorte de pegar a fornada recém saída) e um rissol de camarão - desta vez, frio. Destaque para o bolinho, ops, pastel: textura cremosa, amanteigado, um sabor levemente adocicado por cebolas, gostinho de pimenta do reino... Nada de azeite, desnecessário. Domigo de sol, sentadinha do lado de fora, um chocolate quente, jornal e sem mais para o momento. Abraço.
Pastelaria Vênus
Al. Calouste Gulbenkian 31-RC, Coimbra, Portugal‎


13.10.09

Comida de estudante

Mais uma para a coleção “estou-feliz-aqui-porque-como-bem-e-gasto-pouco”: o refeitório central da Universidade. Aqui, além de ter comida farta e boa a preços praticamente simbólicos, o cardápio varia diariamente e há opções para todos os gostos. Pão, sopa, peixe ou carne, guarnição, salada, água e uma fruta custam 2,15 euros. Se quiser um “sumo natural”, quase sempre de laranja, vai desembolsar mais alguns centavos. Na foto, pescada com arroz integral de tomates e cenoura, maçã, sopa. Meu primeiro prato neste bandejão foram sardinhas com batatas, simplesmente deliciosas, unanimidade entre os que compartilharam a mesa comigo. Ou seja, “tá-se muito bem”!