25.4.09

Faisão Dourado





Brasília é diferente, e o pé-sujo aqui, não seria diferente, com o perdão da repetição (e da rima): causa estranhamento, como a própria cidade. Senão não estaria em Brasília. Fui apresentada pelo amigo Claudio Eugênio ao Faisão Dourado, um pé meiosujo-meiolimpo de responsa que não foge à regra. O ambiente é, digamos, esquisito. Cadeiras de plástico amarelas, que particularmente me irritam. Acabam com qualquer romantismo possível que se pode numa relação com um boteco. Mas, afinal, estamos em Brasília. Não dá para exigir muito neste sentido. O que importa é que o Faisão Dourado não decepciona, apesar do ambiente amarelo. Daqueles que põem na mesa comida brasileira-brasileira, preto no branco, carne de primeira, batata-frita sequinha, farofa gostosa. Para completar, a cerveja é de garrafa. Pode chegar.
Faisão Dourado
314 Sul - Bloco D - Asa Sul - Brasília - DF - (61) 3245-6521

2 comentários:

Eduardo Marini disse...

Nosso simpático amarelão pecado capital tem um xará de responsa em Juiz de Fora.
O Faisão Dourado mineiro (apesar de estar em, Juiz de Fora é Minas? Sei não...) não é exatamente um boot queen, mas um restaurante classicão, senhor chique caminhando para as seis décadas de existência.
Sente, é verdade, o peso do tempo. Mas os pratos que atraíram às suas mesas toda a elite político-artístico-intelectual da cidade e do estado na segunda metade do século 20, além de ilustres visitantes, sobretudo cariocas, ainda estão lá, fartos e, melhor de tudo, a bons preços.
Para rabiscar sua comanda, nada desses mudernos e mudernas que não comem (se comessem não seriam todos tão esqueléticos). Anastáciomaníacos verão senhores elegantes e silenciosos, daquela estirpe que sabe pescar o pedaço de carne de dentro do molho com duas colheres entre os dedos de uma mão, saca? Coisa profissa, de macho (mas a gente deixa fêmea ir quando pode, sabe Anastácia?).
A casa dá aos pratos nomes de juiz-foranos conhecidos. Steak ao poivre Ana Carolina (a cantora), Leitoa à Mineira Paulo Delgado (o deputado petista, meu ex-professor na universidade) e Medalhão à Piamontese Carlos Bracher (o excelente artista plástico, também nascido lá). Mas a untuosa rabada foi batizada de Rabada sem Nome. E o suculento frango ao molho pardo dos domingos chama-se... frango ao molho pardo. Com a devida vênia, nessa parada eu mergulharia no colo dos dois anônimos e abriria mão da companhia dos ilustres.
Excelência gastronômica levada cem por cento em consideração, há hoje outras opções melhores para se comer na outrora Manchester Mineira. Mas quem só considera isso para escolher seus destinos de repasto nunca deve ter permitido a um caldinho ou molhinho lambuzar qualquer outra parte de seu corpo a não ser aquele vermelhinho interno-central do lábio inferior que a gente morde quando não quer tascar um palavrão. Tenho um grande amigo motorista em Maceió - eu o chamo de Comendador - que jura guardar suprema dificuldade só não intransponível por causa de sua suprema grandeza) de acreditar nessa gente. Ouvi aquilo e pensei: é... faz sentido.

Eduardo disse...

Paulo Delgado é de Lima Duarte, cidade vizinha a Juiz de Fora!